Cultura

Boi amazonense com sotaque paraibano: pessoense ajuda a construir cenografia do Caprichoso, em Parintins

Arquiteto Eduardo Nóbrega supervisiona a criação e a construção das alegorias e fantasias do boi-bumbá vencedor do festival.




Eduardo Nóbrega no galpão do Caprichoso: toque paraibano na cultura amazonense.

O boi é amazonense, mas com um toque paraibano. Neste ano, o Boi-bumbá Caprichoso venceu a 53º edição do Festival Folclórico de Parintins sob a supervisão do olhar pessoense do arquiteto Eduardo Nóbrega.

A festa que celebra as tradições do povo amazonense acontece anualmente no último final de semana de junho. O festival tem duração de três dias e conta com apresentações musicais, alegorias e encenações de lendas, tradições e costumes da cidade que dá nome ao evento. Com o tema ‘Sabedoria Popular: Uma Revolução Ancestral’, em 2018 o Caprichoso resgatou para o Bumbódromo – a arena onde as agremiações se apresentam – as heranças culturais e artísticas da Amazônia.

Eduardo nasceu em João Pessoa, mas desde 2015 atua como Arquiteto Cenográfico Fiscal de Arena do índigo boi Caprichoso, uma duas duas associações artísticas que competem todos os anos no festival – o Garantido, representado pela cor vermelha, rivaliza com o Caprichoso há mais de 50 anos.

Todas as alegorias das agremiações, que não deixam nada a desejar aos carnavais do Rio e São Paulo, são obrigatoriamente produzidas por artistas parintinenses, mas é o cuidado paraibano que fiscaliza a apresentação na arena.

“Eu faço um trabalho de imersão cultural no galpão das alegorias, contribuindo com informações mais técnicas e precisas”, explica Eduardo. “Analiso, tecnicamente, a composição, distribuição e possíveis erros que venham a acontecer durante a realização do espetáculo”, acrescenta.

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Eduardo supervisionou a criação e a construção das alegorias, fantasias e elementos cenográficos que garantiram a vitória do Caprichoso em 2018.

Formado em Arquitetura e Urbanismo pelo Centro Universitário de João Pessoa (Unipê), Eduardo cursou em seguida um mestrado em História da Arte e da Arquitetura pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), o que abriu as portas para sua atuação no ramo da produção cenográfica. “Desenvolvi uma pesquisa sobre o estudo das cidades através da cenografia e tive que fazer um estudo minucioso sobre o assunto, que incluiu visitas guiadas ao Projac, da Rede Globo. Foi nesse meio onde nasceu a paixão por cenografia”, conta.

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Festival para a cidade de Parintins durante três dias do mês de junho.

Convite veio direto da direção

A relação com o Caprichoso começou justamente quando o pai, que havia sido jurado do bloco musical do festival em 2014, mencionou que Eduardo estava finalizando os estudos na área. “Foi então que a presidência do Caprichoso entrou em contato comigo e me chamou para uma conversa”, relembra. Conversa que deu mais do que certo: desde que o paraibano assumiu o posto na fiscalização da cenografia do boi-bumbá, o Caprichoso ganhou três dos quatro festivais disputados. A mais recente vitória veio na segunda-feira (2), quando os jurados anunciaram o vencedor da edição de 2018.

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Paraibano durante a preparação para o desfile do Caprichoso em 2018.

Para Eduardo, a consagração veio misturada a suor e lágrimas. Este ano o festival passou por dificuldades financeiras e de patrocínio. Então, a ideia era percorrer o galpão e tentar identificar tudo o que pudesse ser reciclado e reaproveitado, munindo-se de garra, fé, arte e cultura. “Foi um trabalho banhado na capacidade de garra e superação de nossos artistas”, diz.

O envolvimento com o trabalho no balcão do boi-bumbá começa meses antes da festa em Parintins mas, nesse meio tempo, Eduardo atua como arquiteto em João Pessoa e como professor do Unipê, onde ministra disciplinas nos cursos de Arquitetura, Design de Interiores e Design de Moda. Para além do envolvimento profissional, Eduardo já se sente emocionalmente vinculado à comunidade que constrói o Caprichoso e procura deixar uma marca paraibana e nordestina em meio aos ritos e costumes do Norte brasileiro. “Espero dar minha contribuição a essa cultura belíssima dos artistas daqui”, conclui.


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