Cultura

Panorama pernambucano

Após manifestações nas redes sociais e pedidos, filme ‘O Som ao Redor’ estreia nesta terça-feira (19) em João Pessoa.
 



Divulgação
Divulgação
Primeiro longa de ficção do pernambucano Kleber Mendonça Filho será exibido nesta terça-feira (19)

Seis semanas após entrar no circuito nacional e várias manifestações nas redes sociais para trazer o filme para os cinemas paraibanos, finalmente o premiado O Som ao Redor estreia em João Pessoa.

Dentro da programação da mostra Noite de Estreia, o primeiro longa de ficção do pernambucano Kleber Mendonça Filho será exibido nesta terça-feira, no Box Cinépolis (Manaíra Shopping), às 21h (com sessões também na próxima sexta, às 19h, e dia 26, às 21h).

Com o paulista radicado na Paraíba W. J. Solha e o pernambucano Irandhir Santos no elenco, o filme se passa em uma rua de classe média recifense, onde uma milícia oferece seu serviço de segurança, alterando a rotina dos moradores.

Ao mesmo tempo em que alguns comemoram a tranquilidade trazida pela segurança privada, outros passam por momentos de tensão. Um exemplo é Bia (Maeve Jinkings), casada e mãe de duas crianças, que tenta encontrar um modo de lidar com o barulhento cachorro do seu vizinho.

“O mais incrível com O Som ao Redor é o impacto com a identificação do estado de espírito que pertence a essa classe”, avalia o diretor, em entrevista ao JORNAL DA PARAÍBA. “É um filme de experiências e observações pessoais”.

De acordo com Kleber Mendonça, a ideia é mostrar uma rua moderna que tivesse a lógica e a ética de um engenho de cana-de-açúcar, a principal base da economia brasileira durante séculos e parte forte da cultura pernambucana.

“Na zona sul do Recife do filme existe os jagunços, os vassalos e o senhor de engenho, que vive na cobertura – uma espécie de Casa Grande”, compara. “O Brasil é um país de coronéis. Essa cultura sempre fez parte de nossa existência”.

O realizador de curtas como Vinil Verde, Eletrodomésticas e Recife Frio revela que desde a concepção do roteiro, ele não queria usar música dramática no filme. “Em contrapartida, a utilização de sons é como uma trilha sonora secreta do filme”, afirma. “Por causa de ser um país tropical, as nossas janelas vivem abertas, com intercâmbio de sons constantes. Isso para mim é parte do filme”.

O diretor chama a atenção dos cinemas para deixar o “som forte”, mas sem querer estourar os tímpanos das pessoas. “A tendência é falar mais baixo porque todo mundo no meu filme fala como gente normal”.

Elogiado por W. J. Solha – que está dando adeus ao cinema com O Som ao Redor e Era Uma Vez Eu, Verônica, de Marcelo Gomes –, o cineasta espera “ter um novo roteiro para tirá-lo da aposentadoria”.

SUCESSO AO REDOR
O diretor se revela feliz e impressionado com a trajetória do seu longa. Dentre os êxitos internacionais, O Som ao Redor entrou nas listas de melhores do ano do The New York Times, ganhou o prêmio do júri nos festivais de Roterdã e Polônia, além de ser o Melhor Filme em Copenhague, na Dinamarca.

No Brasil, a produção coleciona prêmios por onde passa como o Melhor Filme na Mostra de São Paulo e Festival do Rio, júri popular e prêmio da crítica em Gramado.

Segundo a distribuidora Vitrine Filmes, O Som ao Redor já ultrapassou os 70 mil espectadores no Brasil. Já passou por mais de 40 salas de exibição e está em cartaz em onze com cópias em HD, DCP 2k e 35mm.

Sobre a supremacia dos blockbusters hollywoodianos e as comédias nacionais que estreiam em mais de 700 salas no país, Kleber acha que essas são questões complexas. "Vem muito de um ‘adestramento’ de mercado com tradição forte do eixo Rio-São Paulo”.


Você sabia que o Jornal da Paraíba está no Facebook, Instagram, Youtube e Twitter? Siga-nos por lá. Encontrou algum erro? Entre em contato.