Cultura

Opinião: documentário sobre Jackson do Pandeiro coloca luzes sobre José Gomes Filho

Jamarrí Nogueira avalia filme de Marcus Vilar e Cacá Teixeira sobre trajetória do ‘rei do ritmo’




Foram 16 anos entre o pensar, executar e finalizar. Demorou, mas valeu a pena. O documentário ‘Jackson – Na batida do pandeiro’, dos cineastas paraibanos Marcus Vilar e Cacá Teixeira, terá exibição especial neste domingo, dia 21, a partir das 18h, na Lagoa, em João Pessoa. Uma sessão aberta à população. O filme marca o centenário de nascimento do paraibano Jackson do Pandeiro, conhecido como ‘rei do ritmo’.

O filme usa de artifícios didáticos para contar a história de Jackson. Brasília, onde o músico faleceu, é o ponto de partida. Marcus e Cacá colocam o espectador em ‘túnel do tempo’ e mostram – de maneira bem poética – o nascimento do artista paraibano em Alagoa Grande. Uma estátua de Jackson saindo do forno é a metáfora do nascimento. Daí, a história segue para João Pessoa, Recife, Rio de Janeiro e Brasília.

A partir daí, ‘Jackson – Na batida do pandeiro’ abraça um historicismo bem colocado entrelaçado por depoimentos de peso. Há falas de Gilberto Gil, João Bosco, Genival Lacerda, Gal costa, Santana O Cantador, Elba Ramalho, Adelzon Alves e Zuza Homem de Mello. Também dão depoimentos sobre a importância de Jackson do Pandeiro artistas do porte de Geraldo Azevedo, Gal Costa, Pedro Luís, João Bosco e Lenine.

Entre os familiares há falas bem marcantes de Almira Castilho (entrevistada por Biliu de Campina) e Neusa Flores, ex-esposa e viúva de Jackson, além de dois sobrinhos e um irmão do artista. As duas ex-mulheres, mais que todos, tornam Jackson mais humano, explicitando ‘bondades e maldades’ de José Gomes Filho (nome de batismo de Jackson).

Almira e Neusa são responsáveis pelas melhores falas a respeito de José Gomes Filho. São certeiras naquilo que contam. Almira em um tom mais divertido. Neusa, mais emocionada. Ao final do filme, é de Neusa uma fala capaz de fazer marejar os olhos do espectador mais sensível.

No final, inclusive, Marcus Vilar e Cacá Teixeira, fazem o uso – mais uma vez – do túnel e, com o auxílio de um drone, fazem a alma de Jackson subir aos céus cortando um pandeiro gigante construído em Alagoa Grande. Os créditos sobem e uma música melancólica ecoa. Poderia ser um pouco menos piegas esse final, mas – repito – nada disso retira o brilho do documentário.

Gilberto Gil e o diretor Marcus Vilar. Foto: Heleno Bernardo

O filme tem 100 minutos de duração e classificação indicativa LIVRE. Além de roteiro e direção de Cacá Teixeira e Marcus Vilar, longa conta com produção de Heleno Bernardo e montagem de Thiago Marques. Desenho de som e mixagem ficam por conta de Zé Newton Filho. Já a consultoria musical e trilha original, com Carlos Anísio. Equipe técnica também tem Bráulio Tavares e Rômulo Azevedo na consultoria de roteiro.

Certamente, o espectador sentirá falta de grandes sucessos de Jackson na trilha sonora do filme. Faltou muita coisa mesmo. Não chega a ser um erro, todavia. Foi uma opção! As músicas são encaixadas de acordo com a narrativa. Nada é à toa… Isso não tira o brilho do documentário. Muito pelo contrário! Torna o filme melhor amarrado

‘Jackson – Na batida do pandeiro’ foi rodado com patrocínio da PMJP (Funjope/Prêmio Walfredo Rodrigues) e Governo do Estado de Pernambuco (Funcultura). Governo do Estado da Paraíba (Secult) e UFPB são co-patrocinadores. A realização é da Leme Produções Culturais LTDA e NB Arte LTDA.

Quarta-feira, dia 24, ‘Jackson – Na batida do pandeiro’ estará na programação do 29º Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), no Agreste de Pernambuco. Exibição será no Cine Eldorado, às 21h. As festividades serão iniciadas no dia 18 de julho e seguirão até o dia 27 deste mês. O homenageado da edição é Jackson do Pandeiro.

O mesmo filme terá duas sessões e debate no Cine Bangüê da Fundação Espaço Cultural, no bairro de Tambauzinho, em João Pessoa. As exibições serão dia 27 deste mês, às 18h e às 20h, com debate (para convidados) após a segunda sessão. Sessões fazem parte da programação do Festival de Artes Jackson do Pandeiro, realizado pela Funesc e que acontece de 25 a 28 de julho. Os convidados para o debate são Fernando Moura (consultor), Heleno Bernardo (produção), Cacá Teixeira (diretor), Marcus Vilar (diretor) e André Dib (mediador).

Hoje, quarta-feira ou no sábado que vem, dê um jeito de assistir a esse documentário. É uma obra que atende aos mais altos critérios de qualidade de um documentário. ‘Jackson – Na batida do pandeiro’ foi feito para ser visto por artistas e pesquisadores, mas também por jovens estudantes e fãs da obra do paraibano que fez por merecer o título de ‘rei do ritmo’. Imperdível!!!

 

* Jamarrí Nogueira escreve sobre arte, cultura e comportamento no Jornal da Paraíba aos domingos

 


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