Cultura

OPINIÃO: Bird Box é um filme para ser visto de olhos vendados

Jamarrí Nogueira viu o filme e conta o que achou.




Antes de qualquer coisa, bora combinar que a atriz Sandra Bullock não é de fazer vergonha quando atua. Uma estatueta do Oscar por ‘Um sonho possível’ e a indicação por ‘Gravidade’, ambas como Melhor Atriz, em 2010 e 2014, respectivamente, já bastam para que tenhamos que aceitar que ela não é medíocre. Bullock não é apenas um rosto bonito e um sorriso simpático…

Dito isso, ‘simbora’ conversar sobre ‘Bird box’… Sandra Bullock é a protagonista desse filme feito para a plataforma Netflix, que estreou no último dia 21. O longa-metragem é um mix de terror e aventura. Adaptação da obra de Josh Malerman, a trama se desenvolve em torno de Malorie (papel de Bullock), solteira, grávida e insegura com relação ao seu futuro como mãe. Malorie tem problemas de relacionamento com a família e – definitivamente – não quer ser mãe.

A trama toma um outro rumo, que não a dúvida cruel sobre ser ou não ser mãe: quando uma força misteriosa (espíritos, alienígenas ou qualquer coisa que o valha) passa a atacar o planeta, fazendo com que qualquer um que olhe para ela enlouqueça, cometa assassinatos ou mesmo o suicídio. O filme se desenrola em dois tempos distintos e em paralelo. Após o ‘surto psicótico internacional’ no início do filme, Malorie tem que ficar confinada em uma casa junto a outras pessoas. Tipo um BBB dos infernos…

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Histórias pobres

Em paralelo a esse confinamento, o filme mostra a luta para que Malorie e um casal de crianças pequenas tente sobreviver em uma travessia em um pequeno barco, de olhos vendados! O confinamento faz lembrar o excelente filme ‘A névoa’, mas ‘Bird box’ não é um excelente filme. É um filme, no máximo, regular. Funciona um pouco melhor em alguns momentos, mas – de maneira geral – é um roteiro cheio de buracos. Gostando ou não do desenvolvimento do longa, você vai achar o final estranho…

Se Sandra Bullock não está assim um primor de interpretação, palmas para o fantástico John Malkovich, interpretando Douglas, o preconceituoso e agressivo dono da casa onde todos estão refugiados. Malkovich arrebenta, mas – ainda assim – fica no ar a sensação de que ele poderia ser mais acionado. Isso porque o elenco parece amarrado em uma direção que não permite a libertação interpretativa. Talentos confinados… Além disso, os tipos escolhidos são desinteressantes, com histórias pobres a apresentar.

Mais marketing que cinema…

Aliás, ‘Bird box’ tem pouco a dizer. Tem pouco a apresentar. Desperta pouco interessante e, se prende, é pela curiosidade de saber ‘onde e como essa história vai terminar’. O catálogo Netflix de longas-metragens tem excelentes trabalhos, mas esse não é o caso de ‘Bird box’, um filme que é mais marketing que cinema. Que fique claro: não é um filme ruim (até vale a pipoquinha). É um filme deficitário e que não está aos pés da campanha de marketing que o catapultou.

No final das contas o que sobra é uma discussão vaga sobre a maternidade e temas correlatos como depressão pós-parto. ‘Bird box’ – dirigido pela dinamarquesa Susanne Bier (seu filme ‘Em um mundo melhor’ levou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 2011) – é raso e a maquiagem marqueteira faz com que muita gente pense que ele é confuso porque é profundo. Não. Ele é raso e confuso. Raso e raso. Pudesse voltar um pouquinho no tempo e eu o assistiria de novo, mas de olhos vendados…

* Jamarrí Nogueira escreve sobre arte e cultura no Jornal da Paraíba aos domingos.


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