Cultura


"O cenário hoje é mais orientado pelo mercado que pela criação", diz Zeca Baleiro

Artista vem a João Pessoa para apresentação com o Quinteto da Paraíba.




Divulgação
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Zeca retorna ao estado a convite do Quinteto da Paraíba, grupo do qual se diz fã

Prestes a desembarcar em João Pessoa nesta sexta-feira (25) e sábado (26) para apresentações com o Quinteto da Paraíba no Teatro Paulo Pontes, o cantor e compositor Zeca Baleiro vem mantendo o ritmo de criação constante. Segundo o artista em entrevista ao JORNAL DA PARAÍBA, somente para os próximos meses, estão previstos dois lançamentos seus – um disco voltado para o público infantil, seu segundo para este nicho, e outro de duetos intitulado Arquivo_Duetos 1.

"Quero jogar na rua alguns trabalhos que acumulei nesses 20 anos – alguns duetos, gravações ao vivo, sobras de estúdio em álbuns digitais. Na próxima sexta, 1º de setembro, sai o primeiro álbum, com duetos que gravei com artistas brasileiros e da França, Japão, Portugal e Uruguai", conta, explicando, ainda, seu envolvimento com a música infantil, presente no outro disco, previsto para 2018.

"Comecei na música trabalhando com trilhas para teatro infantil. Depois, quando tive meus dois filhos, fiquei tomado daquele universo nonsense das crianças e compus mais de 100 canções. Foi isso que me motivou", diz. 

Zeca, que já visitou a Paraíba algumas vezes nos últimos anos, retorna ao estado a convite do Quinteto da Paraíba, grupo do qual se diz fã. "Acompanho a trajetória deles com muita atenção, e será uma honra fazer esse concerto na companhia desses cabras", revelou sobre a apresentação, apenas um dos seus muitos compromissos musicais. 

Observador

Por transitar em inúmeros terrenos dentro MPB, Zeca tem na ponta da língua um diagnóstico certeiro a respeito da situação da música no país. De acordo com ele, nos últimos anos, a criatividade e a ousadia vem ficado em segundo plano, dando lugar à busca incessante pelo lucro. "O cenário hoje é mais orientado pelo mercado do que pela criação, pela poesia, embora haja muita gente empenhada em fazer isso, e fazendo bem. Mas... sinal dos tempos", analisa.

Sobre reverência e gratidão, Zeca expõe uma certa crueldade no mercado, embora diga que nunca foi vítima de injustiças. "Há vários casos de artistas que foram importantes e mesmo pioneiros serem esquecidos ou desprezados pelo público. Luiz Gonzaga teve um longo período de ostracismo, e outros grandes também", avalia.

Política

Descontente com a situação política atual, Zeca é honesto ao dizer que não saberia sugerir uma saída para a crise, apesar de observar que é importante ter pessoas comprometidas no poder. “A cultura e a educação sentem o impacto muito fortemente em tempos de trevas como o nosso, porque são mecanismos para o pensamento, a consciência e mesmo a auto-consciência. E isso, já sabemos, é muito perigoso para os donos do poder”.