Cultura


Elba, Zé, Luiz e Lourdes Ramalho são homenageados com exposições em CG

Exposição fica aberta ao público de terça-feira à domingo, das 9h às 20h.




Divulgação/UEPB
Divulgação/UEPB
Exposições que homenageiam os artistas estão dispostas nos "pandeiros" do MAPP

Os artistas paraibanos Elba Ramalho, Zé Ramalho, Luiz Ramalho e a potiguara Lourdes Ramalho são homenageados pelo Museu de Arte Popular da Paraíba (MAPP), em Campina Grande, durante o mês de junho. As exposições vão ser abertas ao público nesta quinta-feira (1º) e devido ao grande fluxo de turistas no período junino funcionará em horário expandido. A entrada é grautita.

As exposições sobre "Os Ramalho da Paraíba" vão ocupar as três salas do museu, estando cada exposição disposta em cada "pandeiro" do MAPP. Na Sala 1, Artesanato, o tema será “Raízes do Futuro”, com mais de mil peças primitivas e contemporâneas de diversas regiões da Paraíba, com destaque para cerâmica, madeira, tecido, palha, couro e elementos da Feira Central, tópico afim aos elementos artísticos presentes no ofício dos homenageados.

Na Sala 2, Música, o visitante poderá conhecer um pouco sobre a vida e a trajetória de três dos mais célebres nomes da gênese dos “Ramalho da Paraíba”, que norteiam a curadoria: Elba, Zé e Luiz Ramalho. O espaço passeará pela vasta e vigorosa obra desses ícones essenciais na formação da identidade brasileira, com ênfase no trabalho de Elba Ramalho.

Na exposição, Elba Ramalho é apresentada não apenas como interprete, mas também como atriz. Nesse sentido, estarão no MAPP capas de revista, fotografias, figurinos, objetos pessoais, prêmios e toda a iconografia de Elba em imagens multimídia. A discografia completa dela também estará disponível para audição no Museu. A curadoria teve a colaboração da artista, norteando o direcionamento dos artigos à mostra.

A obra da grande dama do teatro nordestino e brasileiro, orgulho da Rainha da Borborema, posto que mora na cidade desde 1958, estará na Sala 3, sob o título “Em Cena: Lourdes Nunes Ramalho”. Com fotos, livros, cordéis, documentos, manuscritos de peças originais e artigos que compõem a rotina da dramaturga, a exemplo da máquina de datilografia dela, além das peças censuradas no período da ditadura militar, a exposição traz à luz particularidades do universo “lourdiano”, de um modo mais intimista, trazendo ao leitor uma sensação de proximidade com a poetisa e seu cotidiano.

“Em Cena: Lourdes Nunes Ramalho” também contará com seis totens feitos pelo artista Jô Oliveira, que adentrou no imaginário da escritora, com seus personagens marcantes, e desenvolveu obras à parte. A própria Lourdes acompanhou de perto a execução da exposição, dando detalhes e sugestões.

Na curadoria da parte de Artesanato assinam Angelo Rafael e Chico Pereira. Na de Música, Fernando Moura e Sandro Dupan. Já na área de Cordel, são responsáveis pela curadoria Joseilda Diniz, Fabiana Araújo, Jô Oliveira e Alfrânio Gomes de Brito. Cada exposição terá duração de um ano e será modificada ao longo desse período, sendo acrescidos novos itens.

Especialmente no mês de junho, o Museu de Arte Popular da Paraíba recebe um expressivo número de visitantes e, a exemplo dos anos anteriores, terá um horário diferenciado com vistas a atender a demanda. O MAPP funcionará de terça a domingo, das 9h às 20h, e às segundas-feiras estará fechado para manutenção.

Os homenageados

Luiz Ramalho, nascido em 1931 e morto em 1981, nasceu em Bonito de Santa Fé, no Sertão paraibano, e teve como um de seus maiores sucessos a música “Foi Deus que Fez Você”, vice-campeã do Festival MPB-80, cantada por Amelinha. O compacto vendeu mais de 1 milhão de cópias, e a canção foi a primeira no Brasil a figurar na primeira posição das paradas de sucesso, tanto das emissoras de rádio AM quanto nas de FM. Admiradora do talento do compositor, Amelinha gravaria depois outras composições dele, a exemplo de “Santa Fé” e “Paleio”. O artista também foi parceiro de Luiz Gonzaga em seis composições, entre elas “Roendo Unha”, “Daquele Jeito” e “São João nas Capitá”.

Maria de Lourdes Nunes Ramalho nasceu em 1920, em Jardim do Seridó, hoje Caicó, no Rio Grande do Norte. Traz no gene a herança poética e secular dos Nunes da Costa, célebre família de artistas, cujos poetas e cantadores influenciaram a tradição poética regional. A ela se referem críticos e estudiosos da Península Ibérica como a “Gil Vicente São Sertaneja”. Autora consagrada e de renome internacional, produziu mais de 100 textos de teatro. Suas peças, premiadas, percorrem o mundo. Poetisa, dramaturga e genealogista, traz em sua obra multifacetada a tradição do povo nordestino.

Filho de Brejo do Cruz, no Sertão da Paraíba, Zé Ramalho nasceu em 1949. Compositor, cantor e violonista aclamado pelas suas composições e voz original, o artista lançou seu primeiro LP em 1978, contendo um dos medalhões de sua carreira: “Avôhai”. Antes, em 1975, fez parceria com Lula Cortês, no compacto “Paêbiru”, atualmente um dos mais raros e caros vinis da MPB. Considerada mística e enigmática, rica em associações inusitadas como a literatura de cordel, mais o blues e o rock, a obra do artista tem propagado o nome do Nordeste nos cantos mais longínquos do país.

Elba Ramalho, uma das principais intérpretes da música brasileira, nasceu em Conceição, no vale do Piancó, em 1951. A cantora de “Bate Coração”, “De Volta Pro Aconchego”, “Banho de Cheiro” e “Eu Só Quero um Xodó”, desde criança já demonstrava interesse pelas artes. Em 1968, quando cursava Sociologia na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), formou um conjunto chamado “As Brasas”, onde cantava e tocava bateria. Participou, entre outras, das peças “Viva o Cordão Encarnado”, com o grupo de teatro Chegança, de Luís Mendonça, e “Ópera do Malandro”, de Chico Buarque. Com uma imagem brejeira e um estonteante domínio de palco, lançou, em 1982, um de seus discos mais representativos, “Alegria”, que a alçou nacionalmente.