Cultura


"Não tenho emprego fixo", desabafa Alexandre Nero sobre carreira

Ator vem a João Pessoa para apresentações do espetáculo 'O Grande Sucesso'.




Divulgação/Priscila Prade
Divulgação/Priscila Prade
Com mais de 20 anos de estrada, Nero não tem trabalhos apenas na TV, mas no teatro e na música

Pela primeira vez em solo paraibano, o ator Alexandre Nero pretende mostrar ao público de João Pessoa um lado pouco conhecido seu: o de cantor. É que o artista vem à cidade apresentar o espetáculo 'O Grande Sucesso', que mistura encenação com números de música. 

As apresentações acontecem nesta sexta (5), sábado (6) e domingo (7) no Theatro Santa Roza, com ingressos que custam entre R$ 40 e R$ 100. As entradas podem ser adquiridas na loja Piggy, em Manaíra, ou pela internet, no site OnTickets.

A peça discorre sobre os êxitos e frustrações da vida e traz algumas pinceladas da biografia de Nero, que, mesmo com mais de 20 anos de carreira, não se diz deslumbrado com a fama. "As incertezas sempre existiram: pra mim, elas só mudaram de lugar", afirmou o artista, sobre o trabalho na TV, em entrevista ao JORNAL DA PARAÍBA.

Confira a entrevista completa:

JORNAL DA PARAÍBA: O espetáculo 'O Grande Sucesso' fala de triunfos e fracassos. Como você encara esses dois lados da sua carreira? Você se deixa abalar pelas críticas negativas?
ALEXANDRE NERO: Lidar com o sucesso é bem mais fácil, com o fracasso é muito difícil: as pessoas costumam desistir, ficam depressivas, então eu já vou esperando por isso, qualquer outra coisa, é lucro (risos). Tanto o sucesso quanto o fracasso fazem parte da vida de qualquer pessoa, mas só o sucesso é exaltado, valorizado. Justamente por eu abordar esse assunto, ele interfere muito pouco na minha vida, porque eu tiro sarro de mim mesmo. Achei que era interessante, justamente nesse momento em que eu estou nessa posição, que a pessoas chamam de sucesso, mostrar que esse lugar não é intocável. Eu espero que o espetáculo fale da expectativa do fracasso, que a discussão sobre fracasso e sucesso aconteça.

JP: Você é um artista mais popular por causa dos trabalhos na televisão, que vem passando por grandes transformações em relação às produções mais recentes e à busca por audiência. Como é estar no meio desse momento de incertezas?
AN: As incertezas sempre existiram: pra mim, elas só mudaram de lugar. Ser artista é optar por uma vida de incertezas. Não tenho emprego fixo, salário fixo, não sei se o espetáculo vai ser bem ou mal sucedido. Nada mudou, só foi transferido para a TV.

JP: A música é uma veia sua menos conhecida pelo grande público. Acha que o sucesso na TV traz certa alienação em relação aos outros trabalhos que um artista desempenha? Como é ter sido alçado ao posto de galã e o que isso representa para você?
AN: A música veio bem antes do teatro e da TV. Foi através dela que eu cheguei ao teatro, ainda em Curitiba. Na verdade, quando a gente está no meio de um trabalho tão intenso quanto uma novela, não consegue ter uma visão de fora. Para mim, a minha vida não mudou. O que muda quando se está na TV, em horário nobre, é o assédio das pessoas, da imprensa, da mídia em geral. Foi justamente esse sucesso, ou essa visão que as pessoas têm do que seria o meu sucesso, que me deu a ideia do espetáculo. Mas é bom dizer que quem for ao teatro esperando assistir um espetáculo com linguagem e estética televisivas ou cinematográfica que seja, vai se surpreender.

JP: Apesar de estarmos em um país extremamente cultural, o brasileiro ainda não tem o hábito de ir ao teatro. Para você, por que isso acontece e o que falta para mudar esse cenário?
AN: O brasileiro tem o hábito de ir ao teatro, não tem o hábito de pagar o ingresso. Falta estabilidade, incentivo, falta dinheiro mesmo. Muita gente não vai porque com o salário baixo que ganha não dá pra ir ao teatro, comprar livros, CDs. A maior parte da população brasileira, na verdade. Por isso os subsídios, as leis de incentivo são tão importantes – ao contrário do que as pessoas ignorantes no assunto querem vender. Os incentivos fazem com que a cultura possa chegar às pessoas. Ainda falta muito diálogo, mas é preciso baratear o teatro, cada vez mais. O ideal seria aumentar os salários, mas como isso está longe de acontecer, vamos baratear as coisas e, para isso, precisamos de subsídios.

JP: Você é uma figura famosa pelos fortes posicionamentos, sobretudo em relação à política. Na sua visão, qual a importância de artistas usarem a influência para se posicionarem? Acha que isso pode impactar o trabalho deles de alguma forma?
AN: Tenho repensado muito essa questão. Não sei lhe responder, nesse momento. Acho que a gente precisa aprender, ler mais do que falar, e não me refiro apenas dos artistas, mas a todas as pessoas.  A partir disso, pensarmos mais por nós mesmos, sermos menos influenciáveis por artistas e também por outros tipos profissões, às vezes bastante duvidosas. Isso também me assusta. 

Alexandre Nero em cena na novela 'A Regra do Jogo', trabalho mais recente do ator na televisão (Divulgação/Rede Globo)

Serviço:
O Grande Sucesso
Quando: 5, 6 e 7 de maio - sexta e sábado, às 21h, e domingo às 19h
Onde: Theatro Santa Roza - Praça Pedro Américo, S/N - Centro, João Pessoa
Local da Bilheteria: Lojas Piggy - Avenida Edson Ramalho, 788 - Manaíra, João Pessoa