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"O humor aproxima as pessoas", diz Elizabeth Savalla, que traz peça à PB

Espetáculo acontece neste sábado (25) e domingo (26) em João Pessoa.




Divulgação
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Atriz tem mais de quatro décadas de carreira no teatro, televisão e cinema

Com mais de quatro décadas dedicadas à arte na televisão, no cinema e no teatro, a atriz Elizabeth Savalla já foi de tudo. Desde protagonistas densas e dramáticas até fúteis e cômicas. Seguindo na comédia, considerada seu forte, ela apresenta mais um papel que promete entrar para o seu hall de mulheres marcantes: Regina Antônia.

Regina é a personagem principal da peça 'A.M.A.D.A.S – Associação de Mulheres que Acordam Despencadas', uma sátira sobre o comportamento das mulheres diante dos padrões de beleza cada vez mais rígidos e angustiantes. O espetáculo acontece neste sábado (25) e domingo (26) no Teatro Paulo Pontes, em João Pessoa. Os ingressos, que custam R$ 50 (meia-entrada) e R$ 100 (inteira), estão à venda pela internet e na loja Skyler, do Manaíra Shopping.

Com texto de Regiana Antonini e direção de Luiz Arthur Nunes, o espetáculo é um convite a um debate instigante. “A peça fala sobre tudo que nos acontece com a chegada da meia idade”, afirma Elizabeth. “A Regina Antônia é mais uma mulher que um dia acordou despencada. O fenômeno do despencamento atinge a todas nós. Um dia você se olha no espelho e descobre que tudo caiu. Comigo aconteceu no meu aniversário de cinquenta e um anos”, acrescenta.

Conforme a atriz, o maior desafio deste seu novo monólogo é ter que interpretar mais de uma personagem. Isso porque, na peça, a protagonista está completando 48 anos de vida e no dia anterior ao aniversário encontra uma amiga da época da adolescência. “Aquela amiga que era três anos mais velha mas que aparentava cinco anos mais nova e que agora, vinte anos depois, à custa de muito botox, silicone e academias de ginástica, parece ser de uma geração posterior à da protagonista”, conta Elizabeth, ressaltando que o embate entre as duas é prazeroso de fazer.

Aliás, sobre a vaidade refletida na amiga de sua personagem, a atriz frisa que não condena as escolhas de ninguém. Apesar disso, diz que é necessário cautela por causa dos riscos que se pode correr pelos excessos. “Eu fiz uma novela do Walcyr Carrasco chamada Sete Pecados em que eu interpretava exatamente o pecado da vaidade. Nesse período, estive em contato com cirurgiões plásticos e um deles em especial me deixou apavorada com os riscos que se corre nesses procedimentos. Você pode ficar melhor, mas também pode ficar muito pior”, observa.

A própria Elizabeth não se diz preocupada com a idade e nem é fã de procedimentos estéticos. Ela revela que se sente contente e à vontade com a oportunidade de falar sobre essas “cobranças da sociedade” no espetáculo. “A peça coloca em cheque essa 'ditadura da beleza'. Essa obrigação de se estar sempre jovem, sarada e bonita. O texto mostra, através do humor, o quanto é ridículo esse esforço para se esconder a idade quando ela chega”, explica.

Conciliando trabalhos

O último trabalho de Elizabeth Savalla na televisão foi a personagem Dona Cunegundes, da novela 'Eta Mundo Bom'. Agora, ela se prepara para dar vida à Letícia, de 'Pega Ladrão', prevista para estrear no dia 5 de junho. A obra é a estreia de Cláudia Souto como autora titular e trata das pequenas e grandes corrupções no país. A comédia romântica tem início com um assalto a um hotel, ocorrido durante a festa de aniversário da personagem da atriz Camila Queiróz, e promete agitar o horário das sete.

“Entre uma novela e outra eu intercalo meus espetáculos de teatro. Nos últimos dez anos, eu tenho me dedicado ao projeto 'Teatro de Graça na Praça', onde eu apresento espetáculos ao ar livre, em praças públicas, em cidades do interior de São Paulo. É muito estimulante para um ator apresentar um espetáculo para milhares de pessoas na rua. Ainda mais quando se sabe que a maioria dessas pessoas nunca foram a um teatro”, revela

A atriz, no entanto, confessa não ter preferências pelos palcos ou pela TV. Cada gênero, para ela, tem seus momentos interessantes. “No teatro, a resposta é instantânea. Não tem videoteipe. Você não engana ninguém”, ressalta, fazendo questão de lembrar da participação do público. “A energia do público te leva a superar as dificuldades. Assim como, às vezes, o público também pode te levar a um espetáculo menos intenso”.

Já o que mais chama a atenção de Elizabeth na televisão, da qual é um dos grandes ícones, é a questão do improviso. “Você tem pouco tempo pra estudar o texto”, analisa. “E tudo acontece na hora. Eu adoro essa adrenalina”. A atriz, que estreou em 1972 na TV, já participou de mais de 30 produções, entre novelas, séries e outros programas.

Humor

A maioria dos personagens interpretados por Elizabeth tem um traço forte de humor. Questionada sobre o porquê de ser escolhida para estes tipos de papéis, ela sustenta que desde sempre demonstrou afinidade com a comédia. "O humor aproxima as pessoas", pontua. “Eu aprendi a debochar de mim mesma. Isso é uma grande vantagem, pois ninguém vai debochar de você quando você já faz isso naturalmente. Pra mim o humor é isso, debochar de coisas sérias de modo que as pessoas parem para pensar a respeito”, argumenta.

Em tempos de polarizações políticas e embates ideológicos, a atriz diz que o humor salva o cenário atual de um caos maior. “O povo precisa rir de alguma coisa, não é mesmo? Nem que seja de si próprio. E a peça faz isso. A peça mostra o ridículo a que se pode chegar para conseguir uma coisa que às vezes não tem nenhuma importância”.