Cultura

Alunos de escola pública homenageiam Antônio Barros e Cecéu

Compositores emocionaram-se diante de adolescentes que mostraram o quanto conhecem e gostam da mais autêntica música nordestina.



Divulgação/Rubens Nóbrega
Divulgação/Rubens Nóbrega
Casal foi homenageado na manhã de sábado (11) em João Pessoa

“Muitas das canções de hoje são feitas para entrar no ouvido, mas não entram no coração das pessoas. Daí são rapidamente esquecidas pelo público, apesar do caírem ligeiro no gosto popular enquanto são massificadas pela mídia”. Assim Cecéu resumiu para alunos de uma escola pública da Capital a diferença básica entre as centenas de músicas que ela e Antônio Barros fizeram e aquelas que lideram as paradas atualmente ou "de uns tempos pra cá", como diria o menestrel Chico César.

O casal foi homenageado na manhã de sábado (11) por concluintes do ensino fundamental da Escola Municipal Fenelon Câmara, no Geisel. A homenagem deixou os consagrados compositores paraibanos bastante emocionados. No auditório do educandário, eles assistiram por mais de uma hora à apresentação de trabalho escolar que mobilizou mais de 30 alunos dos nonos anos em pesquisas sobre vida e obra dos artistas paraibanos que assinam, juntos, os mais executados clássicos do mais autêntico cancioneiro nordestino de todos os tempos.

Sob orientação da Professora Raíssa Santos, de Português, os estudantes expuseram seus conhecimentos sobre Antônio Barros e Cecéu declamando e cantando composições famosas da dupla, a exemplo de ‘Homem com H’, ‘Por debaixo dos panos’, ‘Bate Coração’, ‘Procurando Tu’, ‘Sou o Estopim’, ‘Forró do Xenhenhém’ e ‘Óia eu aqui de novo’. Todas músicas de letras que não precisaram decorar porque, como disse Cecéu, foram feitas "para entrar (e ficar) no coração das pessoas". Significa que foram feitas com reconhecida e indiscutível qualidade e por essa razão incorporaram-se com merecido destaque à memória e ao patrimônio artístico-cultural dos brasileiros em geral e da Paraíba em particular .

Em retribuição, os meninos e as meninas da Escola Fenelon, além de professoras e funcionários, ouviram dos compositores histórias engraçadas ou pitorescas de uma carreira que não precisou de jabá nem de lobby para 'emplacar' suas criações. Alguns dos episódios contados por Antônio Barros e Cecéu relembram, inclusive, passagens marcantes da convivência pessoal ou da parceria artística de um, de outro ou de ambos com Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Dominguinhos e Ney Matogrosso, entre outros monstros sagrados da Música Popular Brasileira.