Cultura

Repertório de Frank Sinatra é revisitado em dois novos discos

Em "Fallen Angels", Bob Dylan volta a interpretar canções que a Voz gravou. A celebração do brasileiro João Senise é jazzística e ao vivo.  



Sílvio Osias
Sílvio Osias

Dois novos CDs prestam tributo a Frank Sinatra. Um brasileiro, um americano. O brasileiro: “Celebrando Sinatra ao Vivo” (Fina Flor), de João Senise. O americano: “Fallen Angels” (Sony Music), de Bob Dylan.

João Senise é um jovem cantor. Filho do saxofonista Mauro Senise, enteado do pianista Gilson Peranzetta. Nasceu e cresceu com a música dentro de casa. Canta bem, faz boas escolhas. Seu CD anterior, “Abre Alas”, reúne canções de Ivan Lins.

Ao celebrar Sinatra, tem Peranzetta como arranjador e condutor da banda. Os arranjos são jazzísticos. Na verdade, enfatizam o que há de jazzy em Sinatra. A performance vocal é correta, eficiente, mas não aproxima (nem pretende) o ouvinte do canto incomparável do homenageado.

Já “Fallen Angels” é o segundo disco que Bob Dylan dedica a Sinatra. O primeiro, “Shadows in the Night”, saiu no ano passado. Dylan, aqui, seria o avesso de Senise. No lugar de enfatizar um caminho que Sinatra seguiu, ele foge dos caminhos que a Voz percorreu.

Se Senise é um cantor correto, Dylan perdeu sua condição vocal faz tempo. Para ouvi-lo cantando Sinatra, é preciso esquecer Sinatra. É o que “Fallen Angels” parece sugerir. O que se tem é Dylan voltando às fontes, às matrizes do cancioneiro americano. Mas fazendo ao seu modo. Sendo Dylan.

Um dia, Bob Dylan viu nas suas canções o novo songbook americano, que tornaria obsoleto o universo visitado por Frank Sinatra. Agora, na velhice, ele se desmente ao curvar-se sobre esses standards. E o faz indo ao fundo do que essas canções querem dizer. Quem ama os dois (Bob e Frank) entenderá.