Cultura

Dylan chega aos 75 anos como um grande trovador do seu tempo

Músico começou no folk e na canção de protesto. Nos Estados Unidos, é o compositor popular mais influente da geração da década de 1960. 



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Melodias fáceis, harmonias simples, força poética: são características do trabalho de Bob Dylan

Bob Dylan chega aos 75 anos nesta terça-feira (24). Na estreia, em 1962, era um artista folk que se acompanhava ao violão e usava uma gaita de boca presa numa armação metálica perto do pescoço. Em 1963, mostrava que veio para ficar, cantando uma canção de protesto que faria história: “Blowin`in the Wind”. Mais de meio século depois, o autor não consegue livrar-se dela, mas sabe que sua eficácia contestatória foi substituída pela evocação de um tempo que não volta mais.

Judeu, Robert Allen Zimmerman é, nos Estados Unidos, o maior compositor popular de sua geração. E o mais influente. Até os Beatles foram influenciados por ele. Quando John Lennon trocou as letras ingênuas da Beatlemania por versos que falavam das suas dores, o fez por causa de Dylan.

As marcas principais do que Dylan criou estão nos primeiros anos da sua trajetória. O artista que ouvimos no início da carreira une a tradição folk à canção de protesto. Logo em seguida, rompe com essas duas opções. Abandona o acústico, adota o elétrico e abre mão do discurso engajado para falar de si próprio. Se quisermos
sintetizar assim a sua produção, já teremos um retrato fidelíssimo do que ele é.

O melhor Dylan

Sete discos nos oferecem o melhor Dylan. De “The Freewheelin” (1963) a “John Wesley Harding” (1968). Entre os dois, há “Highway 61 Revisited” e “Blonde on Blonde”. As questões cruciais do homem e sua obra estão neles. Mas ainda há muito o que ouvir nos anos seguintes. As melodias fáceis, as harmonias simples e a força poética das letras fazem o artista atravessar o tempo.

Bob Dylan correu muitos riscos. Primeiro, quando rompeu com a tradição folk e o engajamento político na América da primeira metade da década de 1960. Mas houve outros. De um, ao menos, ninguém esquece: o judeu convertido ao cristianismo na segunda metade dos anos 1970.

De cara limpa ou com o rosto todo pintado. Acústico ou elétrico. Engajado ou recolhido aos seus tormentos. Judeu ou cristão. Não importa. O que temos nele é um grande trovador do seu tempo. Com a beleza da voz nasal, da guitarra imprecisa e das imagens poéticas. Aos 75, o vento ainda está soprando ao seu lado.