Cultura

"Quando não tem espetáculo, eu fico pela metade, não sou inteira", diz Bibi Ferreira

Comemorando 75 anos de carreira, a artista apresenta em João Pessoa neste sábado (14) seu espetáculo com canções de Frank Sinatra. 



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Com rotina bastante agitada, Bibi afirma que, mesmo aos 93 anos, não quer parar de cantar

Pequena e de aparência frágil, características que contrastam com a potência de sua voz, Bibi Ferreira, aos 93 anos, continua com todo o vigor. Com uma agenda lotada para os próximos dois anos, ela quase não tem finais de semanas livres, nem permanece muito tempo nas cidades que visita – tudo em prol da arte. Por ano, ela chega a fazer de 100 a 120 shows, seja pelo Brasil, seja pelo exterior. “Quer me ver feliz? É só ter espetáculo. Quando não tem espetáculo, eu fico pela metade, não sou inteira”.

Em João Pessoa para apresentar neste sábado (14) seu show com repertório de Frank Sinatra no Teatro Pedra do Reino, ela escolheu o Teatro Paulo Pontes para conversar com jornalistas sobre a carreira e a vida. E a escolha teve um motivo mais do que especial: Bibi foi casada com o dramaturgo paraibano por nove anos, até 1976, ano em que ele faleceu. “Ele teria ficado muito contente, muito feliz”, comentou, se referindo ao teatro.

Paulo, inclusive, continua sendo uma figura bastante presente na vida de Bibi, tanto pela obra, que é uma das preferidas dela, quanto pelas recordações familiares. “[Tivemos uma relação] muito forte, muito bonita, sincera, de muita felicidade. Depois que as coisas passam, às vezes é difícil encontrar os adjetivos certos. O adjetivo que a gente sente é tão grande, que é difícil transformar em palavras muitos anos depois”, contou.

E o paraibano ilustre, que esteve por trás de espetáculos premiados como 'Gota D'água', escrito em parceria com Chico Buarque, fazia questão de retribuir o amor de Bibi. Segundo ela, Paulo morreu em seus braços, dizendo 'eu te amo'. “Ele morreu de um câncer no piloro, que é a região que passa do estômago para o intestino. Eu me lembro de ele pedir ao doutor Sílvio... Esse é um momento trágico na minha vida, não gosto nem de falar... Ele disse 'doutor Sílvio, me dá só mais um ano de vida' e ele viveu só mais três meses”, lembrou, com os olhos marejados.

Apesar de ter casado com Paulo na década de 60, a relação de Bibi com a Paraíba começou muito antes, quando vinha ao estado nos anos 50 com a companhia de teatro do pai, o ator Procópio Ferreira. Já com a turnê 'Bibi in Concert', que comemorou seus 50 anos de carreira, foi quando Bibi visitou João Pessoa pela última vez – isso há 25 anos. Na ocasião, ela cantou com o coral e a orquestra da Paraíba, considerada uma das melhores do país naquele tempo.

Sobre o oficío de cantar e de se apresentar para grandes públicos, ela abre um largo sorriso e diz que se sente como se estivesse no começo. “Eu me arrumo toda, coloco os brilhantes em cima, tudo falso, e rio muito com a plateia”, mencionou. “Minha vida é essa, uma troca constante. Dizem que não existe ligação maior entre um ser humano com o outro como a ligação da plateia com um artista e é verdade”, complementou.

Rotina e hábitos
Sempre acompanhada de seu empresário e de funcionários leais que cuidam de sua rotina, Bibi não tem muitos passatempos, nem vícios. Ela garante que não fuma, não bebe, nem toma nada gelado. “Há décadas que eu não sei o que é um sorvete, uma água gelada. Tirei o gelado da minha vida, meu pai dizia que o gelado vela a voz”, explicou.

Os únicos costumes que Bibi tem são os de tomar Coca cola, sem gelo, jogar pôquer e assistir a óperas. “Ultimamente estou muito ligada no 'Barbeiro de Sevilha'. Eu ouço de uma tal forma que digo para a minha irmã 'Lígia, por favor, quer colocar o barbeiro?'. [Ela diz] 'de novo? Pela décima quinta vez seguida?'. Eu digo 'por favor, só assim eu aprendo. Algum dia ainda vou reger isso'”, finalizou às gargalhadas.