Cultura

Dia das Mães é data boa para ler livro sobre relação mãe e filha

Em 'A Mãe Eterna', a autora Betty Milan conta a história de uma filha que se transforma em mãe ao cuidar da mãe de 98 anos.   



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Betty Milan é autora de romances, ensaios, crônicas e peças de teatro

Relação entre mãe e filha é um bom tema para reflexão nesses dias que antecedem o dia das mães, a ser comemorado no próximo domingo (8). É o que sugere o livro “A Mãe Eterna”, de Betty Milan, que está sendo lançado pela editora Record. Como enfrentar a velhice extrema? Cabe ao médico vencer a morte? Como humanizar o fim da vida? São temas para reflexão propostos pelo livro.

Depois de refletir sobre suas vivências como mulher e mãe em “Carta ao filho”, Betty Milan mergulha agora na relação da filha que passa a ser mãe da própria mãe que, aos 98 anos, está quase cega e quase surda, se locomove mal e se alimenta como um passarinho.

Na impossibilidade de diálogo real, a filha escreve cartas para uma mãe imaginária, falando do seu drama. Faz isso no intuito de suportar a devastação física, a falta de comunicação e, mais ainda, para elaborar a perda da genitora antes mesmo da sua morte.

Na obra, ela rememora o passado de uma mulher bem disposta e combativa que, por ter-se tornado viúva, assumiu a empresa do marido, cujas cartas de amor ela passou a ler e reler. As mesmas cartas que, na impossibilidade de enxergar, aos 98 anos, a filha lê para ela. E que a inspiraram a tornar-se, ela mesmo, escritora.

Apesar da idade, a mãe só faz o que bem entende. “Passa a perna” em quem tenta domá-la com orientação sobre os médicos, os remédios, a alimentação, e, com isso, vai semeando a narrativa de humor. Assim, ela demite sua cuidadora, mas, quando a filha traz outra, ela “por acaso” reencontra a anterior, que obedece sem discutir as suas vontades.

Pensando sobre a condição da mãe, a filha se pergunta até quando a vida deve ser prolongada e questiona a conduta do médico, que procura vencer a morte a qualquer preço. Quando por fim o coração da mãe deixa de bater, a mente da narradora é tomada pelas lembranças de uma viagem de sonho com a matriarca em sua idade de ouro.

A rememoração evidencia o traço mais impressionante da mulher, que deixa a vida sem nunca ter arredado o pé de sua maior virtude: a independência.

A autora
Paulista, Betty Milan é autora de romances, ensaios, crônicas e peças de teatro. Suas obras já foram publicadas na França, Argentina e China. Já escreveu na Folha e S. Paulo e na Veja. Antes de se tornar escritora, formou-se em medicina, com especialidade em psicanálise.