Cultura

WJ Solha diz que 'não vai ter golpe' é a frase mais irritante do ano

Escritor e ator  Waldemar José Solha discorda de outros intelectuais quando o assunto é política e faz duras críticas ao atual governo. 



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WJ Solha chega aos 75 anos no próximo mês e vem recusando convites para atuar

Waldemar José Solha (ou WJ Solha), paulista radicado na Paraíba há mais de 50 anos, é um artista respeitado por seu extraordinário talento e pela multiplicidade da arte que produz. Escritor, poeta, ator, pintor, dramaturgo – em sua longa trajetória, tem brilhado em tudo o que faz.

No próximo mês, chegará aos 75 anos. Depois do êxito do filme “O Som ao Redor”, tem recusado convites para atuar no cinema e na televisão. Atualmente, está escrevendo um livro de poesias. Nas pausas, faz postagens no Facebook. Produz notáveis textos memorialistas, com pequenas histórias de sua vida, e surpreende em duros comentários sobre Lula e o governo do PT.

A surpresa está no fato de que Solha sempre foi identificado como um artista de esquerda. O ponto alto dessa identificação foi quando, a convite do arcebispo Dom José Maria Pires, e em plena ditadura, escreveu (para o maestro José Alberto Kaplan musicar) o texto da “Cantata para Alagamar”.

O desencanto de Solha chama atenção. O JORNAL DA PARAÍBA quis saber o motivo, e, no trecho de um longo email, ele respondeu:

“Lembro-me de que, na primeira campanha de Lula para presidente, um filmete de TV mostrava um rato saindo da toca e se pondo a roer alguma coisa verde. A ele se juntavam outros e mais outros ratos e, quando a câmera se afastava, víamos que estavam devorando a bandeira brasileira. Genial! Isso era a política vigente na época – todos sabíamos – mas Lula, sem medo e sem mácula, prometia dar fim a toda aquela esculhambação. Não só não deu, como aderiu ao Sistema, ampliando o saque, enquanto dava o bolsa família para os que viviam abaixo da linha da pobreza, o partido agindo como um Robin Rude [sic] que não roubava dos ricos para dar pros pobres, mas COM  [sic] os ricos, pra tomar o que os pobres deveriam entender que era deles, como, por exemplo, a Petrobras”.

Desencanto explicado pelo próprio Solha, o JORNAL DA PARAÍBA selecionou algumas das suas postagens recentes no Facebook. O premiado autor de “Israel Rêmora” caminha na direção oposta ao de outros artistas da Paraíba que têm se posicionado nas redes sociais sobre o atual momento brasileiro.

“No futuro dirão, como prova de que os gênios erram, que Pound era fascista; Heidegger, nazista; e Chico Buarque, petista?”

“O Velho Chico perde de longe pra essa gigantesca e surpreendente novela, que todos acompanham pelas redes sociais, jornais e telejornais: a da atual irrealidade brasileira, em que uma multidão vê mocinhos nos bandidos e, outra, bandidos nos mocinhos”

“A frase mais irritante do ano: NÃO VAI TER GOLPE [sic]. Porque não vai, mesmo – não porque a militância governista quer barrá-lo através do medo. Mas porque o que está em pauta não é o exército na rua, como em 64, mas um legítimo pedido de impeachment”

“Moro é sereno. Lula, apoplético, como quando diz perigosamente: sou o único cara capaz de incendiar esse país. Com a Avenida Paulista de vermelho, vê-se que a ideia é essa”

“Sinto que – pelo seu abatimento, pelas olheiras – ela (a presidente Dilma) gostaria imensamente de renunciar, mas Lula não deixa porque ELE [sic] tem de voltar em 2018, e pra voltar tem de contar com o RESTO [sic], o RESTO [sic] das estatais”

“Lula não tem nada de grande. O resto que é pigmeu. Ele foi Gulliver em Liliput, onde todos são minúsculos”

“Lula fez? Fez. E desfez. Numa jogada tipo tó [sic] um centavo procêis [sic], cumpanheros, e um bilhão pra nóis. Outro centavo procêis [sic], cumpanheros, outro bilhão pra nóis [sic]. Ouso dizer isso porque o abomino. Não deveria ter feito isso com o povo brasileiro”