Cultura

Quando a arte imita a vida: um retrato sobre o impeachment no cinema

Em tempos de polarização política, o JORNAL DA PARAÍBA sugere o longa-metragem "Todos os homens do presidente". 



A palavra impeachment entrou no vocabulário de muita gente na primeira metade da década de 1970. Foi difundida mundialmente por causa do escândalo de Watergate. O processo contra o presidente americano Richard Nixon teve origem no arrombamento, em junho de 1972, da sede do Partido Democrata (Nixon era republicano). O desfecho, todos conhecem: Nixon renunciou em agosto de 1974 para não sofrer o impedimento. Como manda a Constituição, foi substituído pelo vice Gerald Ford.

Na imprensa americana, quem comprou a briga foi o jornal Washington Post. À frente da histórica cobertura, dois jovens (e inexperientes) repórteres deram uma aula de jornalismo investigativo: Carl Bernstein e Bob Woodward.

No Brasil, muita gente que não conhecia a história do caso Watergate foi apresentada à palavra impeachment em 1992, durante o processo que culminou com a queda de Fernando Collor, o primeiro presidente civil eleito pela via direta depois da ditadura iniciada em 1964.

Como Nixon, Collor também renunciou ao mandato para não sofrer o impedimento. Mas não adiantou: como o fez na última hora, no início do julgamento final, o Senado aprovou o impeachment e decidiu pela sua inelegibilidade. Na época, inspirado no Watergate, o jornal Folha de S. Paulo chamou o caso de Collorgate.

Nos últimos meses, a palavra impeachment voltou ao cotidiano dos brasileiros com as denúncias contra o governo da presidente Dilma Rousseff. No próximo domingo, a Câmara dos Deputados dirá sim ou não ao relatório que pede o afastamento da presidente por crime de reponsabilidade.

Ver (ou rever) o filme que conta a história do escândalo de Watergate pode ser um bom programa nesses dias que antecedem a votação de domingo. Baseado no livro homônimo dos repórteres do Washington Post, “Todos os Homens do Presidente” se debruça sobre o caso a partir do trabalho investigativo deles. Mas não é indicado somente para jornalistas. Em resumo, fala de temas permanentes nas democracias.

E permite reflexões guiadas pelo bom senso. Longe das paixões políticas e ideológicas.