Cultura

Espetáculo de comédia é cancelado devido a ordem judicial em Bayeux

Caso aconteceu na noite de ontem. Segundo organização do evento, decisão pedia que adolescentes até 16 anos fossem retirados do local.



Uma determinação da justiça de Bayeux, cidade da Região Metropolitana de João Pessoa, forçou o cancelamento de um espetáculo do Pastoril Profano, que estava sendo realizado em um ginásio do município. Segundo Edilson Alves, da diretoria do pastoril, a decisão pedia que adolescentes até 16 anos fossem retirados do local e entre 16 e 18 anos só permanecessem se autorizados. Em desabafo em uma rede social, ele revelou as dificuldades de se realizar um evento de tamanho porte, revelando se sentir "vivenciando a volta da Ditadura Militar"

Conforme relato, Edilson explicou que o espetáculo já ocorria há aproximadamente 45 minutos quando 10 agentes de justiça pediram sua interrupção para a saída dos menores de idade, em cumprimento a uma portaria do município. Após algumas discussões, o ator cancelou o espetáculo e teve que devolver o dinheiro dos ingressos ao público. Por telefone, Edilson reiterou que a organização do evento continua sem compreender o que aconteceu e que já procurou uma assessoria jurídica para compreender e saber como se posicionar mediante a situação.

A promotora da infância e juventude de Bayeux, Fabiana Lobo, revelou desconhecer o ocorrido e preferiu não se pronunciar com relação à questão. Ela, contudo, explicou o teor da portaria que motivou o fim do espetáculo, a portaria 001/2016. Segundo a promotora, o texto é claro com relação à classificação etária.

"Crianças menores de 16 anos só podem permanecer acompanhadas dos pais e entre 16 e 18 anos só com autorização com firma reconhecida", disse, reiterando que ainda há muitas outras minúcias no texto, que ela não teve como informar durante a entrevista, pois necessitaria de uma consulta. Ela ainda disse que não é praxe o cancelamento de espetáculos. "O própio Estatuto determina aplicação de multa e auto de infração apenas, não o cancelamento", disse.

Lobo ainda disse que o caso só poderia ser melhor explicado pelo juiz titular da Vara da Infância da cidade. A reportagem, contudo, não conseguiu estabelecer o contato até as 13h deste domingo (3)

 

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Veja o relato de Edilson Alves no Facebook:
"Boa noite a todos. Se é que podemos dizer boa noite. Amigos, Artistas e Fãs da Companhia Paraibana de Comédia e do Pastoril Profano. Falo em nome de Adeilton Pereira - Biuzinha Priqui - Dinart Silvat - Verinha Pastoril - Ceicinha Pastoril- Alessandro Tcche - Sérgio Lucena Irmã Luzinete, Alessandro Barros - Mudinha Pastoril, Aluisio Souza Atori - Verônica, Lourenço Farias Molla , Milton Lima, Emanuel Rodrigues- Mano Trompetista Produtor, Nelson Alexandre da Silva, Wagner Nascimento, Janaina Dias e eu Edilson Alves. Hoje aconteceu algo diferente nas nossas vidas. Após 23 anos fazendo o espetáculo Pastoril Profano, peça essa que durante todos esses anos, estamos formando plateias, levando multidões aos teatros, circulando pelo nordeste e pelo Brasil levando o nome da Paraiba para todos os lados e claro, tudo isso com muito orgulho.

As vezes as pessoas não têm ideia do que que é passar três ou quatro meses para pesquisar, criar, montar, estruturar, investir, contar com ajuda de pessoas e empresas que acreditam na arte paraibana para montar um espetáculo. Sangue e suor são derramados para encenar uma obra seja ele a dramática ou cômica. Sem falar em todo trabalho que se dar para produzir e colocar este espetáculo ao acesso das pessoas que gostam de si divertir. Pois hoje senhoras e Senhores, fomos surpreendidos pelos agentes da Justiça da infância e Juventude de Bayeux que vinha cumprir a determinação da lei e da PORTARIA REGIONAL CONJUNTA 001/2016 da mesma cidade.

Pois pasmem senhores e senhoras, durante todos esses anos nunca tivemos problemas com a justiça, nunca tivemos problemas com nosso público, nunca afetamos a moral e bons costumes de ninguém, todos que conhecem nosso trabalho, fazemos com responsabilidade, qualidade e respeito com nosso público. Pois hoje fomos obrigados a parar ou melhor a CANCELAR O ESPETÁCULO para atender a citada portaria do daquela cidade. Então, senhoras e senhores, será que com toda revolução, crise e situação que o país está vivendo, estamos vivenciando a volta da DITADURA MILITAR?"