Cultura

Artistas paraibanos falam sobre a atual cena teatral do Estado

No Dia Universal do Teatro, comemorado neste domingo (26), os 'operários' do palco analisam a situação do ofício.



Raquel Diniz
Raquel Diniz
"O teatro para mim é visceral", conta a atriz Zezita Matos

“Não é ser primeira dama do teatro. É ser operária do teatro”, analisa uma das grandes atrizes dos palcos, a paraibana Zezita Matos, sobre seu ofício que é celebrado neste domingo com o Dia Universal do Teatro.

Com 57 anos de carreira – “ininterrupta, viu?” – a atriz acha que a dramaturgia está num momento muito bom e criativo, apesar de estar momentaneamente afastada em virtude das gravações da novela Velho Chico, da Rede Globo.

“Sempre tivemos muitos percalços e muitas dificuldades”, conta. “Tem época que o teatro paraibano cresce e aparece. Sempre esteve atrelado a grupos que estavam produzindo, como o Teatro Universitário, o grupo do Santa Roza, da Juteca nos anos 60 e autores como Ednaldo Pimentel e Luiz Mendonça”.

Para o ator e diretor Edilson Alves, a comemoração se dá mais pela resistência de se fazer teatro no Estado. “É uma luta constante pelos direitos e dias melhores do nosso teatro paraibano”.

Apesar de serem instrumentos para a movimentação do cenário dramatúrgico, editais como o Fundo Municipal de Cultura (FMC) e o Fundo de Incentivo à Cultura – Augusto dos Anjos (FIC) são alvos de crítica dos artistas.

“O quadro econômico brasileiro acaba influenciando nas realizações artísticas”, analisa o ator Everaldo Pontes. “O grande caminho da produção e circulação são os editais, que estão meio devagar do ponto de vista estadual e municipal”.

Contudo, esse quadro não implica dizer que a atividade teatral de João Pessoa diminua a sua efervescência, de acordo com Everaldo. “O mundo pode se acabar, mas as pessoas continuam pesquisando, produzindo, ensaiando... É uma característica cultural da nossa cidade”.

Coordenador do Centro Cultural Piollin, localizado na capital paraibana, Buda Lira atenta a quantidade de novos grupos teatrais que vêm surgindo nos últimos anos na Paraíba, principalmente pelo papel de formação das universidades.

“Não significa que tudo esteja bem. Ainda se deve fazer muito pela educação e difusão, com um fluxo maior de público. Os editais de circulação dos espetáculos na Paraíba e fora dela deveriam ser mais estimulados”.

Assim como o Coletivo de Teatro Alfenim, trupe que faz parte atualmente, Zezita Matos vê com bons olhos essa produção criada por outros grupos. “O teatro pra mim é visceral”, comenta. “A luta pelo tratamento digno da cultura – no cinema, no teatro, nas artes plásticas – deve ser contínua pelo artista. O poder público também deveria dar mais condições para isso”.

“Temos que conquistar novos públicos”, acrescenta Everaldo Pontes. “A Paraíba tem um público ávido para ver as montagens”.

O Dia Universal do Teatro foi criado em 1961 pelo Instituto Internacional de Teatro, ligado à Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). A data foi escolhida por causa da inauguração do Teatro das Nações, em Paris, na França.

Confraternização

Em virtude da Páscoa, nesta segunda-feira será comemorado o Dia Universal do Teatro no Núcleo de Teatro Universitário (NTU) da UFPB e na Piollin, em João Pessoa. No Teatro Lima Penante, às 8h, haverá um café da manhã para os artistas, seguido de um ensaio aberto de um monólogo com José Maciel.

Já às 19h, no Centro Cultural Piollin, os atores Adilson Alves e Everaldo Pontes apresentam o espetáculo 'Confissões' (foto ao lado), que mostra o encontro de Santo Agostinho com um amigo de infância que se tornou ator mambembe. A entrada é gratuita.