Cultura

Negra Li metamorfoseada

Dirigido pelo produtor Rick Bonadio, novo disco de Negra Li ‘Tudo de Novo’ faz um mergulho na soul music e é lançado após longo hiato.



JR Duran/Divulgação
JR Duran/Divulgação
Cantora passou os últimos seis anos viajando pelo mundo

Quando Negra Li estourou em 2006, vendendo mais de 200 mil cópias e faturando um disco de platina, a jovem tinha 27 anos e apenas 2 anos de carreira. "Eu ouço Negra Livre hoje e lembro de uma menina cantando", diz a intérprete que acaba de lançar Tudo de Novo (Universal Music, R$ 24,90) depois de um longo hiato.

"De lá para cá muita coisa aconteceu na minha vida: fui mãe, casei, e passei por um amadurecimento pessoal que me fez olhar de forma diferente tanto a vida quanto a música. O CD está muito romântico porque eu permaneci muito romântica nesta transformação: uma metamorfose de menina para mulher".

Dirigido pelo super produtor Rick Bonadio (o ‘Creuzebeck’ que descobriu os saudosos Mamonas Assassinas e os Los Hermanos), Tudo de Novo mergulha Negra Li no soul: "Eu fui buscando o repertório com o Bonadio, um produtor que é muito influente e conhece muitas pessoas nas quais confia e acredita, como Sérgio Britto, Leandro Lehart e Edgard Scandurra".

O Titã Sérgio Britto compôs três faixas do CD: ‘Vai passar’, ‘Não vá’ e ‘Como iguais’; Lehart, consolidando suas afiliações não sambísticas, colabora com ‘Posso morrer de amor’; já Scandurra participa com ‘Culto de amor’, parceria com Taciana Barros que fecha o repertório.

Além do trio de compositores, Leo Jaime e Leoni entram com ‘Fotografia’, enquanto Bonadio arrisca-se com Beto Paciello na letra de ‘Hoje eu só quero ser feliz’. Coroando o setlist, a própria Li escreve ‘Volta pra casa’ com Khristiano Oliveira.

"Dentro do que foi chegando, a gente foi achando o ritmo que ia dar, a velocidade, aquilo que ira nos inspirar. As 11 canções foram todas escolhidas a dedo", garante.

Viajada, Negra Li passou os últimos seis anos vagando do outro lado do mundo, entre países como a Nova Zelândia e o Japão, dedicando-se à maternidade e estreitando amizades com gente como Caetano Veloso, que gravou com ela o hit ‘Meus telefonemas’ em seu debute solo (Guerreiro, Guerreira, de 2005, foi feito em dupla com o rapper Helião).

"A música brasileira é rica em ritmo. Você encontra MPB voltada para o rock, o reggae, o forró, a bossa. Minha experiência trouxe a bagagem de ir do pop ao jazz e ao soul. O intervalo sem gravar me deu comodidade para esperar mais tempo e alcançar coisas novas, interessantes, principalmente porque, mesmo sem um trabalho novo, nunca deixei de fazer show. Sou uma mulher sortuda".

Sobre o atual interesse do público no hip hop, com a ascensão de artistas como Criolo e o resgate de carreiras retumbantes como a de Tim Maia, Negra Li empolga-se: "Sou muito orgulhosa pelo que a gente tem de novo, como Ed Motta e Paula Lima, que fazem um estilo voltado para a black music e são cantores maravilhosos.

Quanto à época de Tim Maia, Cassiano, Dafé e Sandra de Sá, ela foi preciosa e por muito tempo, depois deles, ficou faltando novidade. As pessoas sentiam falta de divas da black music. Estamos tentando levantar esta bandeira. Sempre quis ser conhecida por isso e é essa a sonoridade que procurei neste CD".