Cultura

Marcello Quintanilha conquista ‘Palma de Ouro’ das HQs na França

Quadrinista venceu o prestigiado Festival Internacional de Angoulême pelo trabalho ‘Tungstênio’.



Divulgação
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São poucos os autores de quadrinhos que imprimem um clima tão abrasileirado nos seus temas quanto o niteroiense Marcello Quintanilha. Isso não o impediu de ser o primeiro brasileiro a conquistar o prêmio na categoria Sélection Polar (‘Melhor HQ Policial’) do prestigiado Festival Internacional de Angoulême, na França.

A conquista – fincada no último sábado, data em que coincidentemente se comemora o Dia do Quadrinho Nacional – foi por Tungstênio (lançado na Europa pela Editions Çà et Là como Tungstène e por aqui pela Veneta, em 2014), álbum mais abrasileirado que este não há: uma trama envolve ex-sargento do exército, um traficante, um policial e sua esposa em crise, tudo com o cenário de Salvador, Bahia, como pano de fundo.

Para se ter uma noção da importância, se o badalado norte-americano Eisner Awards é considerado o ‘Oscar dos quadrinhos’, Angoulême pode ser vista como uma Palma de Ouro de Cannes.

“É complicado dizer qual é o maior prêmio de quadrinhos do mundo, mas um prêmio em Angoulême movimenta o mercado franco-belga provavelmente mais que um prêmio Eisner nos EUA. Para os leitores da Europa, é um selinho importante a se colar na capa”, analisa o jornalista e tradutor Érico Assis. “A premiação de Angoulême tem duas características positivas: tende a ser mais aberta a HQs de outras nacionalidades – desde que tenha sido publicada em francês, bien sûr – e tem menos categorias. Ou seja, são poucos que ganham, o que aumenta o significado do prêmio”.

Mesmo com quase 15 anos morando na Espanha, o Brasil nunca saiu da mente e coração do quadrinista. “As histórias representam aquilo que sou e me constituiu como ser humano”, explica Quintanilha. “Eu trabalho aquilo que está comigo”.

Antes de Tungstênio, o primeiro álbum traduzido para o francês do autor foi o Sábado dos Meus Amores, publicado por aqui em 2009 pela Conrad e um dos poucos trabalhos nacionais presente na seleção do livro 1001 Quadrinhos para Ler Antes de Morrer. 

Marcello Quintanilha é o primeiro brasileiro a ganhar uma categoria em 43 edições do festival. Em 2008, fora da competição oficial, o brasileiro radicado na França Leo (Luiz Eduardo de Oliveira) ganhou o Prix Tournesol (prêmio para obras com temática ecológica).

Tungstênio desbancou álbuns de nomes como Jason Aaron (famoso roteirista da Marvel que já trabalhou em títulos como Justiceiro, Thor e Wolverine) e Bastien Vivès (autor de O Gosto de Cloro).

Para Quintanilha, fazer HQs é “o ponto mais alto que um ser humano pode chegar na vida”.