Cultura

Fest Aruanda 2019 começa com homenagem ao 'pai' do cinema paraibano e filme sobre Babenco

Evento tem como tema o centenário do cinema da Paraíba.




Em 2019, festival realiza a 14ª edição (Foto: Arquivo)

Celebrando os 100 anos do cinema da Paraíba, começa nesta quinta-feira (28) a edição 2019 do Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro, que é a 14ª da história. No primeiro dia, o evento vai homenagear o cineasta Walfredo Rodriguez, o pai da sétima arte paraibana. O filme de abertura do festival é “Babenco – Alguém tem que ouvir o coração e dizer: Parou”, de Bárbara Paz, que foi premiado em Veneza. A programação vai ate o dia 4 de dezembro e é dividida entre o Cinépolis Manaíra Shopping, onde acontecem as sessões, e o Hotel Aram Beach & Convention, onde vão ser realizados os debates e painéis. Todo o evento é gratuito.

A abertura do Fest Aruanda começa às 18h, no Cinepólis, com o lançamento do livro “Mr. Babenco: solilóquio a dois sem um”, de Bárbara Paz. A obre é um livro de memórias do cineasta Hector Babenco (1946-2016), composto de conversas que ele e a atriz Bárbara Paz, sua mulher, tiveram até o último jantar do casal. Provocado pelas perguntas de Bárbara, ele vai contando sobre sua infância na Argentina, a descoberta do primeiro câncer e os bastidores de seus filmes. Um outro lançamento é a edição do Correio das Arts, suplemento do jornal A União, sobre o festival.

Na sequência haverá a Sessão Cine Memória Walfredo Rodriguez, o Primeiro Cineasta Paraibano, com exibição de “Carnaval PB e PE (1923), “Sob o Céo Nordestino” (1929) e “Jogando no Palestra Itália” (1929) – um compacto editado por José Maria Pereira Lopes (TV Cultura/SP). Logo depois, haverá um concerto de homenagem ao cinema paraibano e ao maestro Pedro Santos, com o Sexteto Brassil (Departamento de Música da UFPB), que tocará trilhas sonoras de alguns filmes brasileiros.

Filme principal

Destaque na abertura do Aruanda, o documentário “Babenco – Alguém tem que ouvir o coração e dizer: Parou” é a estreia de Bárbara Paz atrás das câmeras. Ele narra os últimos dias de vida do cineasta Hector Babenco, de quem ela ficou viúva em 2016. É um documentário que traz cenas de hospitais, trechos de filmes, imagens caseiras, memórias, reflexões e depoimentos – tudo filmado e gravado com a anuência do cineasta, em épocas distintas dos seus últimos três anos de vida.

O filme deu a Bárbara o Bisato D’Oro, prêmio da crítica independente da 76ª edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza e também o prêmio de melhor documentário sobre cinema na mostra Venice Classics. A diretora participa de um debate após a exibição do filme.

Também vai ser exibido nesta quinta-feira o curta-metragem “A volta para casa”, de Diego Freitas. Toda a programação pode ser conferida no site do festival.

Cem Anos de cinema

Na décima quarta edição, o Fest Aruanda festeja o centenário do cinema paraibano, cujo marco são as primeiras atividades cinematográficas realizadas na Paraíba, em 1919, pelo cineasta Walfredo Rodriguez. Para celebrar o pioneirismo desse documentarista, o festival instituiu o Troféu Walfredo Rodriguez, para personalidades que contribuíram para a história do cinema paraibano. Dois homenageados do evento receberão esse troféu: o escritor e produtor José Bezerra Filho e o ator, cordelista e artista plástico W. J. Solha, pela produção do filme “O salário da morte” (1972), primeiro longa-metragem de ficção rodado em 35 milímetros na Paraíba.

Outras personalidades que serão homenageadas pelo Fest Aruanda, além das já citadas, são: a idealizadora e diretora-geral do Cineport, Mônica Botelho; João Batista de Andrade, cineasta, diretor e produtor de cinema e televisão; Luiz Carlos Barreto (Barretão), fotógrafo e diretor de cinema; Sivuca, cantor, multi-instrumentista, maestro, arranjador, compositor e orquestrador, autor de várias trilhas sonoras para o cinema (in memorian); Lucy Barreto, produtora de cinema; Flávio Bauraqui, cantor e ator; e Fábio Barreto, cineasta, ator, produtor e roteirista (in memorian).

O casal Luiz Carlos Barreto e Lucy Barreto cancelou a vinda ao festival por conta da morte do cineasta Fábio Barreto, filho deles, ocorrida no dia 20 de novembro.

Os dois acompanhariam a exibição do documentário “Barretão”, de Marcelo Santiago, que está na Mostra Competitiva Nacional de Longas-Metragens do Fest Aruanda. Luiz Carlos também participaria de um painel  com o tema “O cinema brasileiro, de ‘Vidas Secas’ e ‘Terra em Transe’ a ‘Bacurau’: entre a poesia, o mercado e a política”, na segunda-feira (2), às 11h. A organização do evento está programando outra atividade para esse horário.


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