Cultura

Brasileiro cria primeiro desenho animado para ensinar Libras

Com 13 episódios, projeto conta a história de Min e ensina Libras para crianças.




Min e as Mãozinhas (Foto: Divulgação)

Depois de não conseguir se comunicar com uma surda, o animador Paulo Henrique Rodrigues idealizou o que se tornaria o “Min e as Mãozinhas”. O projeto é um desenho animado para ensinar a Língua Brasileira de Sinais (Libras). “Por lidar com crianças, através do desenho animado, pensei que poderia ajudar, fazendo algo educativo, ensinando pelo menos esse básico”, disse Paulo.

Ele reconhece que atualmente o governo tem prestado mais atenção aos produtos criados através de editais, exigindo a existência da opção de legendas e intérpretes de janela para o público surdo. Entretanto, antes de aprender a ler, crianças mais novas não conseguem acompanhar legendas, ou então devem dividir sua atenção entre as duas coisas: a ação do intérprete de janela e a ação do desenho. “A realidade das crianças surdas é que elas não têm um entretenimento que possam simplesmente sentar e aproveitar”, observou o animador.

Dentro deste cenário, ‘Min e as Mãozinhas’ é um desenho inteiramente em Libras com o objetivo de ensinar a segunda língua oficial do Brasil. O desenho segue a história da Min, uma garota surda que se comunica através da língua de sinais. Através do seu dia a dia, o público pode ter contato com o cotidiano de uma pessoa surda e descobrir algumas curiosidades, por exemplo, como funciona uma campainha para surdos.

O desenho

O primeiro episódio da série tem oito minutos e conta a história de uma menina surda chamada Yasmin, conhecida como Min. Ela estava na casa da árvore quando um esquilo encontrou pegadas no chão e quis saber de quem eram. Eles vão até a floresta para descobrir quem deixou os sinais pelo caminho. Nesse passeio, encontram o elefante, o gato e o sapo. A todos, Min ensina, em Libras, coisas como dizer o próprio nome e a falar “oi”.

O projeto prevê a criação de 13 episódios dentro de uma proposta pedagógica para disseminar a Libras. “Tive o auxílio dos educadores do Centro Municipal de Educação Alternativa de Itajaí (Cemespi), que deram orientação sobre a língua, e ainda a supervisão pedagógica de Isabel Hermes, que propôs a união das histórias ao método do ensino de idiomas. O projeto deve compreender ainda o uso de livros didáticos. Para as próximas etapas espero encontrar parceiros, empresas que ajudem a dar continuidade ao trabalho”, explicou.

Equipe criadora de ‘Min e as Mãozinhas’ Tatiane Lui Zancanaro, Fabielle Barbosa, Cristiane Victorino, Paulo Henrique Rodrigues, Gustavo Horst (Foto: Maicon Renan)

Inspiração

Segundo Paulo Henrique, duas experiências serviram de inspiração para a criação do desenho. A primeira foi quando ele teve contato com uma surda durante um casamento. “Na mesa eu não sabia como pedir para passar o sal, como chamar a atenção dela, fiquei realmente perdido”, contou. Isso chamou a atenção dele para o fato do conteúdo escolar ser diversificado, mas não abranger uma das línguas oficiais do país. “Eu tive aula de judô, badminton, mas não de Libras, me pareceu uma falha grande nas grades curriculares”.

Além dele, a supervisora pedagógica do projeto, Isabel, também passou por problemas de comunicação com surdos. No caso dela, um surdo estava tentando pedir um carregador para as pessoas que estavam no mesmo ônibus que ele. Mas, segundo Paulo, o rapaz foi ignorado pelos demais que não sabiam Libras. “A Isabel vendo isso, foi lá e ajudou o surdo, emprestando o carregador para ele. E nisso ele fez o sinal de ‘obrigado’, que ela aprendeu por contexto”, relata.

* Sob supervisão de Aline Oliveira


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