Concursos e Empregos

Cresce a procura nos concursos e empresas por tecnólogos

Cresce procura por tecnólogos tanto por empresas quanto em concursos públicos, mas é preciso afinidade com a área



Cada vez mais, aumenta o número de vagas que são oferecidas para cargos técnicos nos certames. Na Paraíba, os concursos do IFPB, MPPB e TRE oferecem vagas para quem possui um curso técnico. As remunerações chegam a até R$ 4 mil. Os cursos têm duração de no máximo um ano e meio e, ao sair, os candidatos recebem uma habilitação profissional, o que os leva também a serem inseridos rapidamente no mercado de trabalho devido à demanda que existe para esses cargos. Especialistas, no entanto, advertem: fazer um curso técnico pensando somente em tentar um concurso pode não ser uma boa ideia.

De acordo com o especialista em concursos Rodrigo Andrade, os cargos para técnicos são uma boa opção apenas para quem já possui o curso. “Se você já tem um curso técnico, essa é a hora de aproveitar essa seara de concursos que estão sendo abertos com vagas para técnico. Mas se a pessoa vai começar hoje a fazer concursos e pensa em fazer um curso técnico apenas visando uma vaga no certame, não acho uma boa ideia. Eu indico, na verdade, que a pessoa faça um curso tecnólogo, que são aqueles cursos de nível superior de curta duração. Assim a pessoa ficará habilitada para as vagas de nível superior, poderá entrar no próprio mercado de trabalho com uma qualificação maior e ainda poderá continuar disputando as vagas para nível médio", afirma.

No caso da pessoa já possuir um curso técnico, no entanto, optar por um concurso público é uma ótima ideia. Isso porque já diminui, de forma considerável, a concorrência que o candidato terá que enfrentar. "Você tem que focar nos concursos que oferecem vagas para a sua área. É importante as pessoas saberem, também, que não é porque tem um curso técnico que poderá se candidatar a qualquer vaga de técnico. As vagas são distribuídas por áreas", complementa Rodrigo.

Dentre as áreas que oferecem mais vagas está a área de informática. O candidato deve ter em mente, no entanto, que os conteúdos diferem dos exigidos em concursos para nível médio. "O assunto de informática no concurso para nível médio é bem básico. Já nos concursos para nível técnico ele tende a ser mais pesado porque exige todo aquele conteúdo que foi apreendido no curso que ele fez. Não é tão complexo quanto o que é exigido para um concurso de nível superior da mesma área, claro, mas fica num nível intermediário entre o nível médio e o superior", explica o especialista.

Perfil do Tecnólogo está mudando

Para o diretor executivo do Unepi, Cássio Cabral, embora o maior percentual de pessoas que façam os cursos técnicos ainda seja de quem está buscando entrar no mercado de trabalho, percebe-se, hoje, um constante crescimento em relação às pessoas que os fazem buscando se candidatar às vagas de concurso.

"O maior problema que nós notamos hoje em dia, no entanto, é que como os concursos que abrem vagas para cargos técnicos também permitem que as pessoas com nível superior o façam, às vezes as pessoas com nível técnico acabam sendo prejudicadas", afirma. O Unepi oferece cursos técnicos desde de redes de computadores até cursos de transações imobiliárias.

Outras mudanças que têm sido observadas no que se refere aos cursos técnicos, no entanto, é a mudança no perfil dos alunos. Se antes predominava a população da classe C e D, hoje, percebe-se um incremento da população da classe B nos cursos técnicos. "Isso pode ser explicado pela grande quantidade de oportunidades que eles enxergam no mercado de trabalho. O ramo da construção civil é um bom exemplo. Antes nós precisávamos importar profissionais. Hoje essa mão de obra está sendo formada aqui", pontua o diretor da Unepi. Também a idade dos estudantes tem mudado: se antes a média era de 25 a 27 anos, hoje, é de estudantes com 22 anos.

O interesse nos cursos técnicos se dá, principalmente, pelo fato de o estudante poder entrar no mercado de trabalho com maior rapidez e extremamente especializado. As aulas são diárias e os cursos chegam a durar no máximo um ano e meio. Ao final do curso, os alunos recebem uma habilitação profissional. São cursos que privilegiam sobretudo a parte prática. "Até a escolha dos profissionais que vão dar aula nos nossos cursos é diferenciada. Nós privilegiamos aqueles que têm uma experiência profissional e que possa passar ao nosso aluno essa dimensão", explica Cássio. Atualmente, os cursos que têm uma maior demanda são os de edificações, segurança do trabalho, manutenção e suporte em informática e corretor de imóveis.