Concursos e Empregos

Para trabalhar em multinacional, além de dominar o idioma é preciso confiança

Muitas vezes, entrevistas de seleção são feitas em inglês. Profissional deve conhecer a língua e buscar conhecer a empresa. 

Francisco França Francisco França

Quem busca um emprego em uma multinacional deve ter, entre outros requisitos, o domínio de uma língua estrangeira sendo esta, muitas vezes, o inglês. Em entrevistas feitas ao telefone, é comum que o candidato seja abordado pelo entrevistador já no novo idioma. Nesses casos, o recrutador está avaliando, também, a aptidão do candidato em trocar de idioma. Algumas dicas, no entanto, podem facilitar o processo: o profissional deve, por exemplo, buscar informações sobre a empresa, assim como em qualquer outra entrevista de emprego, e é importante que ele não minta em relação ao grau de conhecimento da língua estrangeira.

Para o coordenador da Minds Idiomas, Carlos Magno Torres, o fato das empresas estarem utilizando cada vez mais as entrevistas de seleção em inglês trata­se, na verdade, de uma necessidade, e não de uma opção. "O fato é que as empresas precisam ter pessoas preparadas para atender às suas necessidades presentes e até mesmo futuras. Uma empresa que tem contatos com pessoas de outros países precisam ter em seu quadro pessoas qualificadas a manter esses contatos quer sejam com clientes ou fornecedores", explica. Segundo ele, em casos mais específicos, o candidato é avaliado não apenas se sabe falar e entender, mas sim se ele sabe redigir e como ele expõe suas ideias e conhecimento.

As perguntas podem ser relacionadas à familiaridade que o candidato tem com a área pleiteada. O candidato, portanto, deve estar a par das atribuições e responsabilidades a lhe serem confiadas caso assuma o cargo. Podem também haver perguntas relacionadas à experiência que o candidato tenha adquirido ao longo do tempo e a versatilidade de suas habilidades, bem como sobre os motivos pelos quais ele se desligou de empresas anteriores. E atenção: algo que também pode ser abordado é como o candidato encara ou reage a situações inesperadas, desafios ou conflitos que a função possa vir a lhe proporcionar.

Para Carlos Magno, o objetivo da entrevista em inglês vai bem além de apenas avaliar o conhecimento de tempos verbais ou aspectos da língua em si. "Até por que, neste momento, o objetivo do entrevistador não é exatamente avaliar o conhecimento das estruturas gramaticais e, sim, se o candidato é fluente, se sabe argumentar sobre situações presentes, passadas e futuras, bem como meandros relacionados à área de atuação", pontua.

O analista de sistemas Philippe Targino já participou algumas vezes de entrevistas em inglês ­ uma vez para projeto de pesquisa na própria universidade e, também, em etapas de processo de seleção do Google e do Facebook. Tendo feito cursos de inglês dos 9 aos 15 anos ele se sentiu confiante para encarar a etapa. "Foram entrevistas normais de emprego, só que em inglês. Como fiz inglês dos 9 aos 15 anos, não tive muita dificuldade nesse aspecto", afirma.

Com duração de cerca de uma hora, as entrevistas traziam problemas para que ele resolvesse e explicasse o que estava fazendo. "Ele chegava com uma situação e queria saber como eu ia atacá­la e porque eu usei aquela abordagem. Mas também tinha partes que eram mais normais, sobre experiência passada, habilidade, entre outras coisas", conta.

Já o engenheiro mecânico Bruno Nakamura participou de um processo de seleção na empresa Magneti Marelli, uma das fornecedoras do grupo Fiat, cujo processo foi dividido em três partes, sendo duas em inglês ­ uma entrevista preliminar, e outra entrevista com o gerente da empresa, com duração de cerca de uma hora.

"Desde o começo da seleção eles já avisaram que nós tínhamos que ser fluentes em inglês. Eu posso arriscar dizer que mais da metade das pessoas que estavam na sala saíram quando isso foi dito", afirma. Tendo feito cursos de inglês durante cinco anos, Bruno conta ainda que há oito anos realiza apenas a aprendizagem "auto­didata" ­ através de filmes e músicas, por exemplo. No final do último ano, ele fez um intercâmbio de 40 dias nos Estados Unidos. "Isso, sem dúvida, me deu muito mais confiança", pontua.

Dicas: sinceridade e calma na entrevista


Candidato deve falar a verdade quando questionado sobre seu nível no idioma, afirma o diretor do CNA Ruy Carneiro Guto Sousa. (Foto: Kleide Teixeira)

Alguns pontos devem ser levados em consideração para que o candidato tenha sucesso na seleção. De acordo com o diretor do CNA Ruy Carneiro, Guto Sousa, antes mesmo da entrevista é importante não mentir para querer impressionar quando colocar no currículo o seu nível no idioma.

Nesse caso, é essencial lembrar, também, que, quando questionado, o nível se refere àquele que você concluiu e não ao que está estudando. "Geralmente os candidatos colocam que têm um grau de proficiência um ou dois níveis acima do real e isso pode se virar contra o candidato no momento da entrevista", pontua.

Além disso, é preciso atenção porque, às vezes, o entrevistador sequer avisa que vai começar a perguntar em inglês. "Então esteja preparado. Caso a pergunta seja em inglês, já responda em inglês. Quando ele voltar a usar português, você também deve trocar o idioma", indica. De acordo com Guto Sousa, em alguns processos de seleção, quando está claro que o inglês é exigido, é possível que o candidato receba uma ligação já com algumas perguntas em inglês e, nesses casos, as pessoas avaliam a prontidão do profissional para trocar de idiomas de forma rápida.

Outra dica importante é que o candidato deve estar atento às diferenças culturais quando já sabe a nacionalidade da pessoa que vai entrevistá­-lo. "Também é importante estar atento aos falsos cognatos ou palavras que mudam de sentido em diferentes países, pois pode ser que quem se atrapalhe seja o próprio entrevistador. Se acontecer com você e você conseguir educadamente explicar que ele cometeu um lapso, certamente ganhará valiosos pontos na sua avaliação", destaca.

Por fim, é importante manter­-se calmo e relaxado. "Procure dar as respostas de forma mais objetiva, para não correr o risco de "se perder" na fala e, caso não entenda uma pergunta, peça educadamente para o entrevistador repetir. Também é importante, lógico, evitar gírias e palavrões", acrescenta.