Concursos e Empregos

Encontrar vocação é primordial



Segundo especialista em carreiras, jovens devem investir no autoconhecimento para encontrar o melhor caminho profissional

 

Sendo obrigados cada vez mais cedo a escolher que profissão desejam seguir pelo resto de suas vidas, os jovens têm cada vez mais enfrentado uma série de dúvidas nessa fase que podem, no entanto, ser resolvidas através do autoconhecimento. A consultoria com um profissional especializado no sucesso profissional, o chamado “coach”, também é uma boa forma de se livrar das confusões e encontrar a verdadeira vocação.

Em primeiro lugar, o jovem tem que buscar o autoconhecimento. "É extremamente importante saber para o que ele tem vocação e qual é sua hierarquia de valores", diz o coach Rilton Campos, profissional especializado em desenvolver os potenciais profissionais das pessoas. Segundo ele, é necessário, antes de tudo, que o jovem saiba quais são os valores que guiam sua vida. "Quanto mais o jovem se aproximar desses valores, mais feliz ele vai ser", destaca.

Não é de se estranhar, por exemplo, que uma pessoa deixe de lado festas e baladas para se dedicar a ser voluntária da Cruz Vermelha Internacional. "Isso significa que o principal valor dela é a contribuição social. Se ela não se aproximar desse valor, ela não vai ser feliz", pontua Rilton.

Um outro ponto que merece destaque na hora de o jovem escolher sua profissão é a influência que ele pode sofrer tanto por parte de seus próprios pais como, também, por parte da sociedade. "Ser influenciado pelos pais para seguir a mesma profissão que eles é o maior erro de todos, o maior absurdo", diz o coach. Isso porque os jovens não têm os mesmos talentos que os pais têm, sequer a mesma hierarquia de valores. Como são pessoas distintas, têm habilidades e talentos totalmente diferentes. Fazer com que eles sigam a mesma profissão, portanto, faz com que se crie jovens que irão trabalhar sem motivação e sem paixão. "Paixão é a coisa mais essencial para que qualquer profissional tenha um alto desempenho, para que você se aproxime da felicidade que é o que todo mundo busca", analisa Rilton.

O mesmo raciocínio, portanto, vale para se livrar da influência que o jovem pode sofrer ao ouvir falar das “profissões da moda” ou, ainda, das profissões que dizem dar dinheiro. Caso o jovem não se sinta entusiasmado com aquele emprego, portanto, mesmo que seja o emprego de sonhos de muitos outros, ou que lhe traga rios de dinheiro, ele não será feliz no seu dia a dia. Já se estiver fazendo algo pelo qual seja realmente apaixonado, se tornará imbatível naquilo que fizer.

Existem, ainda, os riscos de cair nas chamadas crenças limitantes. Um adolescente de escola pública, por exemplo, que ao concorrer com alunos de escolas particulares passa a ter em mente as dificuldades pelas quais irá passar e a se perguntar "como eu vou fazer o Enem concorrendo com um aluno de escola particular?" já está, por si só, se limitando. "Ele já tem uma crença que não autoriza que ele passa. Isso tem que ser trabalhado. Pensamentos como 'outras pessoas de escolas públicas já passaram' têm que ser estimulados", finaliza Rilton.

Escolas orientam estudantes

Facilitar a busca do autoconhecimento, o processo de amadurecimento e a identificação de habilidades relacionadas a sua escolha profissional. Esse é um papel, também, da escola. "Nós procuramos dialogar com o jovem, tentamos estar juntos aos alunos para buscar esclarecer suas dúvidas e possibilitar que ele converse com profissionais", diz a psicóloga Patrícia Marques, do Colégio Motiva.

Com esse intuito, foi criado o projeto Vocare, do qual participam os alunos do 3º ano do Ensino Médio que ainda estão em dúvida quanto à escolha profissional. As reuniões acontecem em grupo, semanalmente, às terças-feiras, e busca fazê-los entrar em contato com o "eu", seus desejos, interesses, aptidões e reconhecimento de suas capacidades. "Também é um espaço para compartilhar dúvidas, medos, inseguranças e incertezas, despertando através do trabalho em grupo o apoio mútuo e respeito de uns para com os outros", afirma a psicóloga.

Segundo a psicóloga, durante os encontros são feitas análises de habilidades, de perfis de interesses e, com isso, vão sendo colhidas informações para traçar um perfil do aluno e ajudá-lo a fazer sua escolha profissional. "A gente se depara com alunos com muitas dúvidas em cursos de áreas completamente distintas, o que gera muita angústia e muitas dúvidas", complementa. Quanto mais informações eles tiverem sobre os cursos, portanto, melhor. Para isso, também, é realizado o Seminário das Profissões, anualmente, evento que conta com a presença de instituições renomadas e profissionais que se destacam em suas áreas.