Concursos e Empregos

Trainee é chance para liderar

 Empresas que oferecem o programa de iniciação profissional focam na preparação de gestores para áreas mais estratégicas



Com o mercado de trabalho cada vez mais concorrido, conseguir o primeiro emprego nem sempre é uma tarefa fácil. Experiência, nessas horas, é fundamental. Pensando nisso, muitos jovens têm se dedicado cada vez mais a experiências como ser um "jovem-aprendiz", ou, ainda, o estágio. A modalidade de iniciação no mundo profissional, no entanto, que está cada vez mais concorrida é o programa de trainee, oferecido por empresas que moldam os jovens recém-saídos da universidade para formar verdadeiros líderes.

De acordo com Flávia Queiroz, da Page Talent, unidade dedicada ao recrutamento de estagiários e trainees, a diferença entre o aprendiz, o estagiário e o trainee é a seguinte: enquanto que o aprendiz é um jovem que ainda está na escola ou no início da faculdade, o estagiário se encontra da metade para o fim do curso e o trainee geralmente é alguém que já está formado.

Além disso, enquanto que o aprendiz desenvolve trabalhos mais operacionais - como são pessoas que ainda estão muito no início, precisam desenvolver maturidade para lidar com outras ocupações -, estagiários são pessoas que se encontram em fase de iniciação profissional e estão ali para aprender e serem moldados. Os trainees, por sua vez, são programas para alguém com um pouco mais de experiência - são as portas de entrada no mercado profissional que têm um programa de desenvolvimento bastante "parrudo" por trás deles.

Os programas de trainee têm sido tão procurados que chegam até mesmo a ter uma concorrência maior que os cursos de Medicina - chegam a ser cerca de 1.500 candidatos por vaga. O Nordeste, no entanto, ainda é considerada a região com menor número de candidatos. "É uma região que ainda tem bastante potencial de crescimento. Muito disso talvez se deva à própria questão da logística. Como grande parte das vagas são em São Paulo, é necessário que se tenha uma disposição para mobilidade", afirma Kléber Piedade, da Seja Trainee.

O processo de seleção de trainee passa pelas seguintes fases: primeiro, o candidato faz uma inscrição com algumas informações básicas, além de responder a por que quer trabalhar em determinada empresa. Essa ficha passa por um filtro, e os candidatos selecionados fazem testes online onde são avaliadas competências como inglês, raciocínio lógico e até mesmo atualidade. Depois do teste online, vem a dinâmica de grupo, que geralmente é a primeira etapa presencial. Em seguida vem o painel de negócios, onde os candidatos são colocados diante de um case da empresa. "Nessa fase, já estão presentes os gestores da empresa para avaliar o comportamento dos candidatos", pontua Kléber.

Caso contratado, o profissional irá assinar um contrato com todos os benefícios CLT, como, por exemplo, o direito ao 13º, só que, além disso, durante todo o programa, terá acesso a diferentes treinamentos, assim como passará por um processo chamado de "job lotacion" - ele irá mudar de área dentro da empresa. "O candidato também pode ter acesso ao couching dentro da própria empresa. Ela vai fazer um investimento bastante grande naquele candidato com o intuito de formar um futuro líder", avalia Kléber.

Com a procura cada vez maior por programas de trainee, hoje, já existe, inclusive, empresas que fornecem consultoria para candidatos que desejam se candidatar ao cargo. É o caso do Seja Trainee, empresa que faz a preparação individual do candidato.

"Nossa meta é que o candidato se conheça melhor e busque empresas que tenham mais a ver com ele", afirma um dos sócios da marca, Kléber Piedade. Segundo ele, normalmente a consultoria dura até três meses, com reuniões semanais que podem ser feitas, inclusive, pelo Skype.

 

Vagas podem ser ocupadas antes mesmo de concluir curso

O estudante Pedro Vidal sequer esperou terminar a faculdade para se candidatar aos programas de trainee. Como algumas empresas aceitam candidatos que já estejam no último ano do curso, desde o início deste ano ele começou a se candidatar. No total, foram quatro processos seletivos de que participou, simultaneamente.

Como todos os processos seletivos têm uma longa duração - em torno de três a cinco meses -, no primeiro que passou, resolveu ficar. "Eu sempre pesquisava as oportunidades em sites como o Vagas.com e o Catho. No caso do Catho, mesmo tendo que pagar, vale a pena, porque eles mostram uma gama de seleções que estão acontecendo", diz.

 

Hoje, Pedro trabalha como trainee na Colchões Ortobom, em Recife. "O bom do programa de trainee é porque ele já lhe coloca em uma posição de carreira que você iria demorar muito a alcançar caso entrasse na empresa pelas vias tradicionais", pontua. Segundo ele, após um período de seis meses a um ano, por exemplo, sendo trainee, já é possível ocupar um cargo de gerente ou subgerente caso surja a oportunidade.

 

Valorização e reconhecimento

"A gente tem muita oportunidade de ser valorizado e reconhecido. Quando você entra por uma porta dessas, você tem que ter em mente que as oportunidades vão ser grandes mas, também, que o nível de exigência vai ser bem maior", diz o atualmente especialista em refrigerantes da Ambev, Thiago Espíndola. Ele, que passou pelo programa de trainee há cerca de dois anos, não só foi efetivado ao fim do programa como, também, já recebeu quatro promoções.

Thiago é formado no curso de Relações Internacionais e, tendo estudado fora por um tempo, pôde aprender vários idiomas. "Como o campo na minha área é restrito em João Pessoa, comecei a ler um pouco sobre os perfis de programa de trainee e vi que eu me encaixava nas características. Gosto de desafios, gosto de dinâmicas e pude ver que ali meu talento ia ser reconhecido", aponta. Segundo ele, tanto em termos salariais como, também, o reconhecimento profissional foram características que chamaram sua atenção.

O processo de seleção durou, ao todo, cinco meses, com nove etapas. Quando contratado, Thiago foi para São Paulo - o trainee é um processo de seleção que ocorre a nível nacional. Depois, já foi transferido para sua cidade natal - João Pessoa - e, no início deste ano, passou a ser especialista regional de refrigerantes - do Amapá à Paraíba, a responsabilidade é sua.

Hoje, porém, em um cargo de gerência, ele põe na conta do programa de trainee a facilidade que tem para exercer a função. "Durante o programa, você acompanha todas as etapas do processo. Desde um caminhão entregando o produto, até a fatura. Então, hoje, eu sei exatamente o que os meus subordinados estão passando, porque eu já vivi aquilo. Eu pude aprender in loco o que eles fazem", pontua.

Também Ana Paula Cordeiro traçou o mesmo caminho. Formada em Administração pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) no ano passado, ela se submeteu à seleção de trainee em setembro de 2013 e, tendo sido uma das aprovadas, começou o programa em dezembro. Agora, após dez meses de treinamento, prepara-se para assumir função na área de Gestão da empresa.

 

"Quando eu ainda era estudante, participava da empresa júnior de Administração, a EJA, mas já comecei a me informar sobre os programas de trainee. Só que como eles são para quem já é formado, esperei o tempo passar. Quando me formei, fui logo atrás", conta. Segundo ela, a possibilidade do crescimento profissional também foi, para ela, o grande atrativo. "O treinamento foi bem completo", aponta.