Concursos e Empregos

Falta de preparo impede deficiente de obter emprego



Deficiências físicas e mentais, desde que não se tornem deficiências emocionais, não são impedimentos para que se consiga uma vaga no mercado de trabalho. Uma lei federal, na verdade, exige que as empresas reservem de 2% a 5% de suas vagas para pessoas com deficiência. Fiscalizadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego, as empresas estão, cada vez mais, tentando colocar essas pessoas em seus quadros de funcionários. No entanto, a dificuldade apontada por eles é a falta de qualificação profissional dessas pessoas que, muitas vezes, discriminados pela sociedade, acabam se sentindo inferiores aos demais.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 45.606.048 brasileiros, ou seja, 23,9% da população total, têm algum tipo de deficiência - visual, auditiva, motora e mental ou intelectual. Desses, 25.800.681 são mulheres e 19.805.367 são homens. Além disso, 38.473.702 pessoas vivem em áreas urbanas e 7.132.347 em áreas rurais.

A deficiência visual apresentou a maior ocorrência, afetando 18,6% da população brasileira. Em segundo lugar está a deficiência motora, ocorrendo em 7% da população, seguida da deficiência auditiva, em 5,10% e da deficiência mental ou intelectual, em 1,40%. No que diz respeito à idade, no grupo de 0 a 14 anos, a deficiência atinge 7,53% da população; no grupo de 15 a 64 anos, a parcela é de 24,9%; já no grupo de 65 anos ou mais, a porcentagem é de R$ 67,73%.

De acordo com a gerente de Recursos Humanos da Construtora Massai, Márcia Peixoto, hoje são 13 pessoas com deficiência que trabalham no local - dessas, uma tem deficiência auditiva e as outras 12 possuem deficiência física. Segundo ela, a empresa não contrata os deficientes por serem deficientes mas, sim, pelas suas habilidades. "Os que estão aqui não transformaram a limitação física em uma limitação emocional. Eles se prepararam, se qualificaram, e hoje estão aqui", explica.

Segundo ela, a empresa foi adaptada para receber os colaboradores, mas eles são tratados exatamente como os demais colaboradores da empresa são. Não há redução na jornada de trabalho, nem nenhuma outra regalia. "A única coisa que acontece é a adaptação física. Adaptamos o local em que o colaborador trabalha, como a mesa ou o mouse, por exemplo", explica. Na empresa, também foram instaladas rampas na entrada e barras nos elevadores.

A deficiente física Lidianne Gusmão trabalha, há quase dois anos, na construtora Massai. Antes, porém, ela já teve outros empregos. "Eu nunca tive muita dificuldade em arrumar emprego, acredito que porque eu me qualifiquei. Fiz cursos de língua, de inglês e de espanhol, embora não tenha chegado a finalizar nenhum dos dois. Mas tenho também o curso de informática", afirma. Além disso, ela possui o curso superior de Turismo e hoje se prepara para começar o tecnólogo de gestão de Recursos Humanos.

"É uma coisa que não vai mudar nunca em mim. Então eu tenho duas opções. Ou eu me fecho em um mundo só meu ou então eu vou em frente pra ser alguém na vida. Hoje eu quero que minha filha e meu marido sintam orgulho de mim", conta. Segundo ela, o trabalho é uma das principais coisas que a fazem se sentir inserida no meio social e, justamente por isso, ela pretende continuar se qualificando cada vez mais.

Vagas sobram nas empresas

Para Débora Magalhães, da Mais Desenvolvimento e Seleção de Pessoas, no entanto, apesar da lei, as próprias empresas têm dificuldade em contratar pessoas portadoras de deficiência devido, muitas vezes, à falta de qualificação profissional por parte das próprias empresas. "A gente divulga nas redes sociais, nos jornais, em vários meios, mas às, vezes, principalmente quando é uma vaga que exige uma qualificação mais específica, nós temos dificuldade em fazer a seleção das pessoas com deficiência, porque elas não aparecem", afirma. 
Já para a gerente de recursos humanos da Construtora Massai, Márcia Peixoto, muitas vezes, as pessoas com deficiência deixam de se preparar pela própria discriminação que sofrem na sociedade. "Eles acabam se sentindo discriminados, incapazes de realizar as mesmas coisas que as outras pessoas fazem, quando na verdade eles são tão capazes quanto. O que importa é que eles não deixem de se sentir, acima de tudo, seres humanos", aponta.

No Brasil
- 45.606.048 brasileiros, ou seja, 23,9% da população total, têm algum tipo de deficiência
- 25.800,681 são mulheres 
- 19.805.367 são homens
- 38.473.702 pessoas vivem em áreas urbanas
- 7.132.347 em áreas rurais.
- A maior ocorrência é de deficiência visual, com 18,6%