Bem Estar

Público feminino procura cada vez mais aulas de defesa pessoal na PB

Técnica Krav Maga chegou ao Estado no ano de 2006 e atualmente possui 30% dos praticantes do sexo feminino



Reprodução/Youtube
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Alunos aprendem a superar obstáculos em situações de agressão

“Passa tudo! Isso é um assalto!”. As palavras proferidas por um estranho que apontava a arma para a cabeça da estudante Ana Cecília Castor, 23 anos,  a traumatizaram e, a partir daí, a sensação de insegurança passou a ser uma companheira da jovem. Para mudar isso, ela resolveu aprender uma técnica de defesa pessoal e recorreu ao Krav Maga, única luta mundialmente reconhecida como arte de defesa pessoal e não como arte marcial.

O Krav Maga chegou à Paraíba em 2006 e, ano após ano, tem sido cada vez mais procurado por mulheres, que hoje representam cerca de 30% do público total de praticantes da arte de defesa pessoal. Segundo o  instrutor responsável pelo ensino da técnica no Estado, Ticiano Barbosa, a maioria delas procura o Krav Maga após ter sofrido algum tipo de agressão ou para evitar esse tipo de situação.

“Eu acredito que o Krav Maga é uma das artes que as mulheres procuram mais por ser uma técnica de defesa pessoal. O Krav Maga não é um esporte, não tem regras nem campeonatos. Aqui você não compete por um troféu, mas com você mesmo. O objetivo principal é fazer com que você, independente de força física, idade ou sexo volte vivo para casa”, explicou, acrescentando que essa também foi sua motivação para iniciar na técnica.

E esse era justamente o objetivo de Cecília, uma menina franzina, aparentemente frágil, mas que cansou de se sentir assim. “ Eu já passei por várias situações de risco e a sensação de estar e ser vulnerável é muito ruim. Quero aprender a me defender”, revelou.

Diferentemente da estudante, aprender a se defender não era um objetivo para a empresária Silvana Tenório. Ela conheceu o Krav Maga por intermédio de sua filha e, após acompanhá-la algumas vezes, também se interessou e começou a participar. Hoje sua filha não pratica mais, mas ela continua firme. Já são quatro anos de Krav Maga.

“Há 14 anos meu pai foi assassinado em um assalto. Minha filha se sentia insegura e isso a motivou a participar. Empolguei-me e senti vontade também. Hoje eu sinto que mudou a minha vida”, revelou. Hoje detentora da faixa laranja, uma das mais altas dentro da técnica, ela descreve os benefícios trazidos pelo Krav Maga para sua vida. “Sou mais atenta, mais confiante, me sinto menos vulnerável. Não tenho intenção nenhuma de parar”, concluiu.

Os objetivos alcançados pela empresária são aqueles propostos pelo introdutor da técnica no Brasil, Mestre Kobi Lichtenstein. “O aluno aprende a superar obstáculos físicos e mentais e se torna uma pessoa melhor em todos os sentidos: ganha coragem e confiança em si mesmo, equilíbrio emocional, muda a postura frente à vida e ao seu oponente. Trata-se de um modo de melhorar a percepção, de adquirir um comportamento mais atento nas ruas, em locais públicos ou mesmo em casa, quando há uma situação de risco com um parceiro agressor”, disse.

Prática deixa a mulher confiante

Reverência seguida de exercícios de aquecimento que vão evoluindo pouco a pouco. Corrida, saltos, abdominais, depois chutes, socos, até aprendizados sobre queda e defesa. Assim tem início um treino de Krav Maga. Devido aos esforços, a prática contribui para um melhor condicionamento físico, mas, segundo a psicóloga do Hapvida Saúde Lívia Vieira, também pode trazer benefícios psicológicos.

“Cada modalidade de arte marcial tem uma enriquecedora história, repleta de sabedoria e técnicas incontestáveis. Sabendo o conceito por trás da técnica escolhida, admirando-a, realizando-a com prazer e afinco e respeitando os limites da mesma, muitos são os impactos positivos. Ao realizar a arte marcial em prol da sua defesa, a mulher, automaticamente, sente-se mais segura, mais autoconfiante, sua autoestima eleva – também devido ao corpo mais definido -, ou seja, a mulher sente-se mais feliz”, explicou.

A psicóloga destacou que, por ter um benefício no sentido de dar à mulher a capacidade de se defender, o Krav Maga a ajuda a sair de uma posição de vitimização, tão arraigada na sociedade. “Infelizmente a mulher em figura vitimizada, frágil e indefesa é uma questão histórica, social e cultural. A mulher, desde sempre, é impulsionada a se comportar como uma princesa. Não pode correr, pular, se sujar, pronunciar palavrão, nem se misturar com os meninos. Enquanto as meninas fazem ballet, os meninos fazem arte marcial”, comentou.

E quando isso se une a uma agressão, os impactos psicológicos podem ser ainda piores e a escolha por uma arte marcial pode se caracterizar, ainda, como uma atividade terapêutica. “Uma mulher vítima de violência sofre prejuízos em suas relações sociais, pois ela evitará se expor para a sociedade. A mulher precisa se conscientizar da sua força, importância e precisa se amar mais, se respeitar mais, pois é assim, se amando, que a figura da mulher insegura deixará de existir”, completou.

Treino gratuito de Krav Maga na Paraíba

Em alusão ao Dia Internacional da Mulher, comemorado no próximo 8 de março, a Federação Sul Americana de Krav Maga realizará em João Pessoa treinamentos gratuitos de defesa pessoal. A ação acontecerá no dia 12 de março.

O objetivo do evento é sensibilizar a mulher sobre a importância de sua participação no combate à violência e mostrar que ela pode ser parte ativa da prevenção desse tipo de problema. Os treinamentos acontecerão em diversos estados brasileiros.

Na Paraíba, os treinos serão realizados na R1 Body Center Academia (no Clube Cabo Branco), na rua Coronel Souza Lemos, 167, Miramar, no dia 12 de março. Para participar, é necessário fazer inscrição pelo e-mail: infopb@kravmaga.com.br.

Além disso, durante todo o mês de março, as mulheres poderão realizar uma aula gratuita nas academias da Federação Sul Americana de Krav Maga, procurando pelo site (www.kravmaga.com.br) e marcando uma visita. 


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